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Obesos ignoram bancos preferenciais em estações e vagões do Metrô

Obesos ignoram bancos preferenciais em estações e vagões do Metrô

Atualizado: Segunda-feira, 10 Agosto de 2009 as 12

Os bancos de uso preferencial para obesos, de cor azul, já estão disponíveis nas estações e nos vagões do Metrô de São Paulo desde abril, mas aqueles que seriam os principais beneficiados quase não usufruem deste privilégio.

São dois bancos por trem, um no primeiro e outro no último vagão de cada composição. Ao todo, são 244 bancos em 122 trens distribuídos nas linhas Azul, Verde, Vermelha e Lilás.

Além disso, há bancos preferenciais para obesos também nas extremidades das estações, onde é possível fazer o embarque no primeiro e último vagões. As melhorias atendem a uma lei estadual, que estabelece a obrigatoriedade da disponibilidade de assentos para pessoas obesas nos transportes públicos. Em algumas estações, ainda não há a sinalização indicando que o banco é de uso preferencial para obesos.

Parte dos usuários considerados acima do peso consultados pelo G1 não haviam percebido os bancos de uso preferencial nas estações e vagões.

"Agora, vou até procurá-los", disse a psicóloga Marie Jeanne Sermout, de 42 anos, que se define como uma obesa mórbida. Antes, a psicóloga limitava-se a pegar os vagões próximos às escadas para andar menos. "Estão dando melhores condições para os obesos, pois é um sofrimento andar de transporte público. Tem muita gente que não sai nem de casa por uma questão de comodidade. Para obeso, por exemplo, os bancos de ônibus são os piores, pois não há espaço entre um banco e o da frente".

A fisioterapeuta Luciene Real dos Santos, de 30 anos, também não havia reparado nos bancos azuis, mas tem uma desculpa para isso: "Uso o Metrô eventualmente." De todo modo, aprovou a iniciativa. "Como tenho quadril largo, acabo incomodando os outros passageiros. Pretendo utilizar estes bancos preferenciais, sim", afirmou.

O enfermeiro Alfredo Santa Cruz, de 55 anos, disse que já viu os bancos, mas que não faz questão de utilizá-los, pois sempre encontra lugar para sentar nos horários que costuma utilizar o transporte. Ao menos uma vez, disse, presenciou pessoas não obesas se utilizando do assento, mas não solicitou que ela cedesse o lugar.

"Isso é uma questão de bom senso das pessoas e uma questão de educação. Basta usar o bom senso e saber quem precisa ou não utilizar o assento", disse. Para ele, a distância entre um banco e outro nos vagões é mais incômoda do que a largura do assento.

Mesmo com as pessoas desinformadas, a chefe do departamento de relacionamento com o cliente do Metrô, Maria Beatriz Barbosa, diz que não haverá uma campanha específica para orientar os obesos. "É algo muito recente, por isso é uma questão de tempo para as pessoas se acostumarem e passarem a respeitar as condições de uso do banco azul, como aconteceu com o banco cinza".

Nos vagões, uma plaqueta afixada ao lado avisa, a exemplo do que já ocorre com os assentos de cor cinza em relação a idosos, gestantes adultos com crianças de colo e deficientes físicos, que o local é preferencial para pessoas com Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 40, o mais alto da tabela e que indica obesidade III, considerada do tipo mórbida. As pessoas com índice entre 25 e 29,99 são consideradas com sobrepeso e com IMC acima de 30 é apontado como obeso.

O cálculo do IMC é simples: basta a pessoa dividir o seu peso (em quilogramas) pela sua altura (em metros) ao quadrado. Por exemplo, se o peso é 80 kg e a altura é 1,80 m, o índice resultará 24,69, considerado peso normal.

Para suportar o peso dos obesos, os assentos têm dimensão e resistência diferenciadas em relação aos demais. A largura mínima equivale a de dois assentos padrão e chegam a quase 90 centímetros e o material deve suportar uma carga mínima de 250 kg no assento e de 100 kg no encosto. Nos vagões, caso não esteja sendo utilizado por um obeso, o banco pode ser ocupado por duas pessoas com pesos normais, segundo a assessoria do Metrô.

Em cinco novos trens que começaram a circular recentemente na Linha 2 (verde), todos os bancos de uso preferencial, seja para idosos, gestantes, deficientes ou obesos, são de cor azul - em vez de cinza, como nas composições mais antigas.

"Azul é a cor símbolo da acessibilidade. Nos trens mais antigos, há um processo de mudança, de adaptação. Os bancos cinzas estão sendo pintados de cor azul clara", explicou Maria Beatriz Barbosa.

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