Obras atrapalham o sono de moradores da Zona Sul de SP

Obras atrapalham o sono de moradores da Zona Sul de SP

Atualizado: Sexta-feira, 16 Abril de 2010 as 12

Obras realizadas em importantes avenidas da Zona Sul de São Paulo têm tirado o sono dos moradores da região. A Prefeitura determinou que os trabalhos devem ser feitos durante a madrugada para não atrapalhar o trânsito, mas quem mora nas proximidades não consegue mais dormir.

Os motoristas realmente saem ganhando, mas quem mora perto desses locais reclama que não consegue dormir com o barulho das máquinas. O serviço na rede de abastecimento começa a noite e avança pela madrugada. Os operários usam protetor de ouvido para suportar o barulho nervoso da britadeira, mas quem mora perto da esquina da avenida engenheiro Luis Carlos Berrini com a rua Arizona, no Brooklim, nem sempre tem o mesmo recurso em casa.

Na avenida Juriti, em Moema, os operários descarregam a mistura, espalham tudo e, aos poucos, o asfalto esburacado vai ficando um tapete. O trabalho avança pela madrugada.

Situações como essas se repetem pela cidade. "Fiquei acordada a semana inteira. Meu apartamento é de fundo e meu quarto no fundo do fundo, mesmo assim tem barulho. Eu acordei, daqui a pouco amanhece e eu estou aqui", reclama Lílian Fernandes, jornalista.

Lílian ligou para o Psiu, o Programa Silêncio Urbano da prefeitura, mas nem assim conseguiu sossego.

Em bairros residenciais, o limite de barulho é de 45 decibéis após as dez da noite. É menos que o ruído feito por um carro quando passa pela rua, mas se o barulho vier de obras públicas como a que existe no local, não cabe ao Psiu fiscalizar. O único jeito de conseguir silêncio é transformar a questão em caso de polícia.

"Se o ruído estiver muito alto e não houver nenhuma providência por parte desses órgãos pode ser considerado perturbação do sossego, aí aciona-se a Polícia Militar e as partes são conduzidas ao distrito", afirma o diretor do Psiu, Wanderley Pereira.

Em uma esquina do Itaim Bibi, foi exatamente isso o que aconteceu. Sem conseguir dormir há duas semanas, os vizinhos resolveram prestar queixa. "Quando a gente chega na delegacia a doutora diz o seguinte, que existe um papel da CET que diz que eles devem trabalhar só após as 11 da noite. Que ela não tem autonomia nenhuma pra impedir ou argumentar que eles não trabalhem", conta Fernando Brandão, cinegrafista.

Wanderley Pereira explica a situação: "Quando a obra está numa via pública nós notificamos o órgão competente pra que ele tome as providências".

"Se vai fazer barulho, primeiro eu acho que tem que avisar. Se não é um dia só, se vai ser a semana inteira, eu acho que tenho que saber o que vai acontecer com o meu sono pra ver se eu vou dormir em outro lugar, se eu vou dormir mais cedo porque eu sei que eu vou acordar?", acredita Lílian.

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