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Onda de roubos a celulares assusta moradores e alunos em Higienópolis

Onda de roubos a celulares assusta moradores e alunos em Higienópolis

Atualizado: Quinta-feira, 17 Novembro de 2011 as 11:31

Uma onda de roubos e furtos a celulares está assustando moradores, trabalhadores, usuários de transporte público e estudantes perto de escolas, faculdades e universidades em bairros da região central de São Paulo, como Consolação, Vila Buarque e Higienópolis. Nos últimos cinco meses, a Polícia Civil registrou mais de 100 boletins de ocorrência sobre esses tipos de crimes na região. O corredor de ônibus na Rua da Consolação, que liga o Centro à Avenida Paulista, concentra o maior número de casos, com quase 40 notificações.

Dados da Polícia Militar revelam outros números e crimes diferentes dos da Polícia Civil. Segundo a PM, as ruas Itambé, Maria Antônia e Piauí, que cercam a Universidade Mackenzie, tiveram juntas 63 casos de furto, dez de furto a veículos, 16 roubos e três de roubos a veículos. Separadamente, cada uma das três vias também teve aumento em índices de criminalidade.

"Sou morador do bairro de Higienópolis e estudo no colégio Mackenzie. Em dois meses, já fui assaltado duas vezes na mesma rua, a Piauí, a menos de 100 metros da escola e também a menos de 100 metros da minha casa. A última foi na terça-feira [4 de outubro]. Nas duas vezes, os assaltantes eram menores de idade, nunca armados. Liguei na Polícia Militar nas duas vezes, e nada fizeram além de pegar meus dados e informações sobre os bandidos, mas não pegaram ninguém. Não sou o único que sofre com isso nessa região. Estou desesperado depois de perder um celular e uma corrente”, desabafou um estudante de 16 anos de idade, que teve autorização de um de seus responsáveis para falar com o G1 sob a condição de que o seu nome não fosse divulgado.

“Minha filha de 11 anos estuda no Mackenzie e já foi assaltada também no caminho da escola para casa”, afirmou o cabeleireiro Ronaldo Fuentes, que decidiu pedir à mulher para buscar a filha no colégio. Ele também instalou câmeras de monitoramento de segurança na entrada do seu salão. “Se o patrulhamento da PM está deixando a desejar, temos de tomar outras medidas para nos protegermos. Se algum crime ocorrer aqui, as câmeras gravarão e poderão ajudar a identificar os bandidos”.   Corredores de ônibus

A sensação de insegurança não é diferente do outro lado da Consolação. Seis passageiros já reclamaram de furtos e assaltos dentro de ônibus de uma linha que opera no corredor da Consolação, segundo um gerente de tráfego de uma empresa que pediu para não ser identificado. Entre as vítimas, estão alunos do Mackenzie. Por causa do aumento nas reclamações, a viação encaminhou um documento ao 4º Distrito Policial, na Consolação, pedindo providências para identificar os criminosos.

Policiais que investigam a ação desses ladrões e assaltantes já identificaram e prenderam três suspeitos no mesmo período. Um peruano, um boliviano e um brasileiro foram reconhecidos pelas vítimas. O número de casos pode ser maior porque muitas pessoas desistem de dar queixa.

O G1 procurou a assessoria de imprensa do Mackenzie para comentar o assunto da segurança em Higienópolis na manhã desta segunda-feira (7). A universidade ainda não havia se manifestado sobre o assunto até a publicação desta reportagem.

Estudantes

“Sempre escutamos falar de roubos aqui na região, principalmente nos horários de chegada e saída dos alunos das aulas. Não sei se as vítimas registram a ocorrência. Na maioria das vezes, sabemos que estão roubando muitos celulares”, afirmou Natália Maluf, de 20 anos, estudante de engenharia biomédica da PUC.

Da centena de casos envolvendo celulares registrados no 4º DP entre junho a outubro deste ano, dez pessoas afirmaram ser estudantes da região. Foram 80 roubos e 70 furtos desses telefones no período. A Consolação também responde pela maioria desses índices, totalizando 40 casos entre roubos e furtos. O horário das 15h às 16h é o preferido dos criminosos para agir.

Associação de moradores

“A gente tem observado que antes os policiais militares ficavam na esquina da Avenida Higienópolis com a Rua Dona Veridiana, mas não tenho visto isso faz um tempo. Você tem um volume de pessoas que não sei ao certo, volume de alunos e corpo docente do Mackenzie, USP [Universidade de São Paulo] e PUC [Pontifícia Universidade Católica]. Esse público se desloca em direção a estações de Metrô na Santa Cecília e terminais de ônibus na Consolação”, explicou o economista Fábio Fortes, diretor de relações públicas da Associação de Moradores e Comerciantes de Higienópolis (AMCBH).

Polícia Militar

Análise criminal feita pela Polícia Militar comparando 1º de agosto a 25 de outubro deste ano com o mesmo período em 2010 nas ruas que cercam o Mackenzie mostra que houve aumento em três índices de furto, roubo e roubo de veículos.

Na Rua Itambé, foram registrados 17 casos de furto neste ano, contra dez no ano passado: o que deu um aumento real de sete casos. A mesma via também teve acréscimo no número de roubos, saltando de 4 em 2010 para seis agora.

A Rua Maria Antônia apresentou mais casos de roubos em relação ao mesmo período do ano passado: foram sete neste ano contra seis no ano passado. Apesar de o número de furtos ter se mantido igual ao do passado, continua alto: 34 ocorrências.

Na Rua Piauí, recentemente foram comunicados dois roubos de veículos contra um em 2010.

Procurado para comentar as críticas das vítimas em relação a reclamações referentes ao policiamento, o tenente coronel Benjamin Francisco Neto, comandante do 7º Batalhão da PM Metropolitano, afirmou que já providenciou um aumento nos patrulhamentos.

“Temos incentivado as pessoas, em entrevistas e Consegs [Conselhos de Segurança], a registrarem todos os fatos delituosos que forem vítimas. O objetivo é ter os registros para que possamos planejar as ações de polícia pelo PPI [Programa de Policiamento Inteligente]. A maioria dos casos envolvendo os estudantes que tem o celular ou alguma quantia em dinheiro sendo subtraída, não registravam o fato. Hoje estamos procurando mudar esta conduta e incentivar o registro pela internet, instalações da PM e distritos policiais. Estamos empenhados em levantar dados dos infratores, com imagens utilizando o policiamento velado. Reforçamos o período de estacionamento de viaturas nas proximidades das escolas, além do patrulhamento com os programas de Força Tática e Rocam [Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas]”, disse o tenente coronel Benjamin Neto.  

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