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ONG Mães da Sé dá 10 dicas para evitar desaparecimento de crianças

ONG Mães da Sé dá 10 dicas para evitar desaparecimento de crianças

Atualizado: Terça-feira, 29 Setembro de 2009 as 12

A organização Mães da Sé vai lançar nesta terça-feira, 29 de setembro, em São Paulo uma revista para alertar as famílias sobre como evitar o desaparecimento de crianças e adolescentes no Brasil. Presidente e uma das fundadoras da Mães da Sé, Ivanise Esperidião da Silva Santos trabalha desde 1995 para reencontrar a filha, Fabiana Esperidião da Silva, que sumiu aos 13 anos, a 120 metros do portão, quando voltava da casa de uma amiga.

Em 15 anos de militância, Ivanise reuniu outras 5 mil pessoas em torno da ONG e ajudou 2.036 famílias a encontrar pessoas perdidas. Ela faz uma lista dos cuidados que devem ser adotados para evitar o desaparecimento de crianças.

Veja  10 cuidados para proteger a criança:

1. Desde cedo, ensine à criança o nome completo do pai e da mãe 2. Tire o RG (Registro de Identidade Civil) da criança o quanto antes

3. Ensine à criança o número do telefone de casa

4. Oriente a criança a não dar informações a qualquer estranho que se aproxime

5. Oriente a criança a não receber doces, balas e brinquedos de desconhecidos

6. Garanta que a criança esteja sempre acompanhada de alguém de confiança da família

7. Procure saber quem são os amigos da criança

8. Preste atenção no comportamento de famílias cujos pais  evitem contato da criança com a vizinhança

9. Converse sempre com seus filhos

10. Observe mudanças no comportamento de seus filhos

A presidente da Mães da Sé afirma que, entre 1º de janeiro de 2005 e 10 de setembro deste ano, São Paulo registrou 95.610 casos de desaparecimento. Deste total, 43% ou 41.148 pessoas tinham menos de 18 anos.

Embora 78. 815 pessoas tenham sido encontradas, outras 16.795 continuam desaparecidas. Estima-se que no Estado de São Paulo sumam entre 18 mil e 20 mil pessoas por ano, algo próximo de 10% das 204 mil que somem anualmente em todo o país.

Investigação

Uma comissão parlamentar de inquérito instalada na Câmara dos Deputados investiga os motivos do desaparecimento de crianças e adolescentes. Ivanise afirma que por trás do sumiço duradouro de crianças e adolescentes pode haver crimes graves, entre eles, tráfico de drogas, exploração sexual e tráfico de seres humanos. "Quanto mais o tempo passa, menores são as chances de a família reencontrar a pessoa procurada."

Casos de crianças que se perdem da família em grandes cidades e são doentes mentais, segundo Ivanise, são de mais fácil solução, porque normalmente as vítimas são identificadas e devolvidas aos responsáveis. Há também os casos em que o desaparecimento é espontâneo, motivado por desentendimento com a família ou por ambiente de violência doméstica.

Ivanise afirma que fatores culturais ainda atrapalham a identificação de pessoas desaparecidas. Ela desfaz, por exemplo, o mito de que a família tem de esperar 24 horas antes de registrar na polícia o desaparecimento de uma pessoa. "Isso nunca existiu. Ninguém tem de esperar 24 horas para registrar desaparecimento. Algumas delegacias e delegados criaram esse tabu. Mas não é o delegado que vai determinar o tempo para que seja elaborada a ocorrência", disse ela.

A presidente da Mães da Sé também derruba o argumento de que a polícia é ineficiente na busca de desaparecidos. Ela conta que delegacia de desaparecidos, ligada ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, tem tecnologia para mostrar com base em uma foto de 1995, como seria hoje o rosto de sua filha, que estaria com 27 anos.

"Quando não conhecia o trabalho, achava que a polícia não encontrava minha filha porque eu era pobre. Mas desaparecer não é crime e a polícia começa a investigação com base nas informações que a família dá. Encontrar alguém que está desaparecido dá muito trabalho, mas eles fazem aquilo que está ao alcance deles", disse Ivanise.

Para ela, iniciativas como a distribuição de fotos de crianças desaparecidas em cupons de pedágio e latas de extrato de tomate podem dar certo, desde que a população preste atenção ao que está vendo.

"Nossa maior dificuldade é que as pessoas não prestam atenção. Teve gente que só ligou para o número que estava no papelzinho porque o carro quebrou e porque pensou que estava ligando para a concessionária da rodovia", disse ela. "Muitas vezes as pessoas veem uma criança abandonada na rua e sentem medo."

Ivanise, que não chora mais ao falar da filha, afirma que tem vivido a certeza de que vai encontrá-la . "Vou manter acesa a chama da esperança. Minha filha não tinha motivo nenhum para sair de casa. O desaparecimento dela é um mistério muito grande".

Serviço: Para falar com a ONG Mães da Sé, entre no site www.maesdase.org.br, mande um e-mail para [email protected] ou ligue para 11.3337-3331

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