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Oposição critica pacote fiscal; base sai em defesa de Dilma

Oposição critica pacote fiscal; base sai em defesa de Dilma

Atualizado: Sexta-feira, 11 Fevereiro de 2011 as 3:20

Enquanto a oposição criticou nesta sexta-feira (11) as medidas de ajuste fiscal anunciadas pelo governo, com um corte de R$ 50 bilhões, governistas saíram em defesa da presidente Dilma Rousseff.

O Orçamento total que representa a receita primária é de R$ 990,5 bilhões, e a quantia passível de corte gira em torno de R$ 220 bilhões. O ajuste foi calculado levando-se em consideração o salário mínimo de R$ 545.

O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) disse que a presidente, em sua campanha eleitoral, havia descartado a necessidade de ajuste.

Na visão do parlamentar, o anúncio dos cortes demonstra que Dilma não está cumprindo o compromisso assumido com os eleitores. O senador disse que, em pronunciamentos no Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), em São Paulo, e na LBV (Legião Brasileira da Boa Vontade), em Brasília, Dilma negou que houvesse motivos para preocupação quanto às contas do governo, uma vez que o país vinha crescendo e a inflação estava sob controle.

"Ela [Dilma] era a alma do governo passado, e isso dava garantia aos eleitores da continuidade. E não foi isso que aconteceu. O anúncio do corte de R$ 50 bilhões é uma ruptura. A menos que se imagine que aqueles que elaboraram o Orçamento, e me refiro ao ministro [Guigo] Mantega em particular, fossem tão incompetentes que não tivessem previsto o rumo que as contas estavam tomando e que imporiam um ajuste fiscal logo no início do governo", disse Aloysio.

O senador afirmou ainda que a ajuste fiscal deve ser feito com o fim do desperdício de dinheiro público, com a revisão da concessão de incentivos fiscais a grupos econômicos, entre outras medidas.

"Se o governo não enfrentar seriamente os desafios de tapar os ralos por onde escorre o dinheiro público, se o governo não se propuser, com o auxílio desta Casa, a uma revisão rigorosa dos incentivos fiscais que somente favorecem grupos econômicos e que não têm nenhum benefício social, se o governo não puser fim ao cassino financeiro, ao custo elevadíssimo que paga para manter divisas vultosas, enquanto as contas comerciais se deterioram, enquanto não se enfrentar seriamente esses problemas, o resto é perfumaria."

DEFESA

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), por sua vez, elogiou "a responsabilidade, a determinação e a coragem" de Dilma ao anunciar o ajuste fiscal.

"Não é porque o governo fez isso que o país vai mal. Não! Vai bem e vai melhor porque tem responsabilidade fiscal e sabe que só pode gastar o que arrecada."

Jucá lembrou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também teve que cortar gastos e disse que o bloco do governo vai entender, "pois são ações corajosas necessárias para que o Brasil continue no trilho do desenvolvimento e da responsabilidade fiscal".

"Tenho certeza de que o governo vai honrar seus compromissos com todos. Mas temos que ter equilíbrio e responsabilidade fiscal para que o governo funcione bem para atender a todos os brasileiros, mas principalmente a todos os que precisam mais", reiterou Jucá.

Outros senadores elogiaram a decisão do governo. Pedro Simon (PMDB-RS) afirmou estar assistindo com muita emoção o início do governo de Dilma. Wellington Dias (PT-PI) observou que se trata de um governo de continuidade do anterior e Lindberg Farias (PT-RJ) ratificou a necessidade de se fazer "apertos" no início da gestão.

Já Cristovam Buarque (PDT-DF) criticou o aumento de salários dos parlamentares no momento em que o Congresso precisa dar o exemplo com o corte de verbas.

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