Oposição diz que vai à PGR contra secretário e corregedor da Receita

Oposição diz que vai à PGR contra secretário e corregedor da Receita

Atualizado: Segunda-feira, 6 Setembro de 2010 as 11:19

A oposição anunciou neste sábado (4) que ingressará com dois novos pedidos de investigação em relação à quebra de sigilo da filha do candidato à Presidência da República, José Serra (PSDB), e de outras pessoas ligadas aos tucanos.

O primeiro pedido será feito ao Ministério Público Eleitoral (MPE) para que se verifique se houve motivação eleitoral nos vazamentos.

Em coletiva realizada em São Paulo, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), o deputado Índio da Costa (DEM-RJ), candidato à vice-presidente na chapa de Serra, o vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, que teve dados fiscais acessados, e o presidente do PPS, Roberto Freire, afirmaram que "fatos novos" reforçam a necessidade de outra investigação.

Eles citaram, como novos elementos, a informação de que contador Antonio Carlos Atella chegou a tentar se filiar ao PT em Mauá (SP) e um assalto ocorrido no diretório do partido no município. Atella foi a pessoa que retirou, utilizando uma procuração falsa , a cópia da declaração de Imposto de Renda de Veronica Serra na Receita Federal. Ele nega ter falsificado a assinatura da filha de Serra. A segunda medida anunciada pela oposição foi uma representação à Procuradoria Geral da República (PGR) contra o secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, e contra o corregedor-geral do Fisco, Antonio Carlos Costa D’Avila, por improbidade administrativa. A oposição acusa os dois de obstruírem as investigações. É a estratégia do despiste, formulando versões a cada passo. A versão de hoje desmente a versão de ontem e espera a versão de amanhã para ser desmentida. É a visível obstrução da investigação. O corregedor e o secretário estão acobertando aqueles que certamente são os responsáveis por esses crimes", disse o senador Álvaro Dias. Na coletiva, por diversas vezes, Dias, Indio e Freire reforçaram que não há um objetivo eleitoral nas ações anunciadas neste sábado.

"Não importa agora ganhar ou perder uma eleição. O que importa é defender as instituições públicas do país, é impedir que esse viés autoritário vá deteriorando toda a estrutura da administração pública brasileira. Se cometem crimes para chegar ao poder, certamente crimes praticarão para permanecer no poder", disse o senador tucano.

Críticas a Mantega e a Lula

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi alvo de várias críticas por ter declarado nesta semana que vazamentos “sempre ocorreram” e citado o fato de dados fiscais sigilosos serem comercializados “no centro de São Paulo”. “Isso é um escárnio, é próprio de republiqueta”, disse Roberto Freire. O senador Álvaro Dias afirmou que o ministro "banalizou" o episódio.

Freire também condenou declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a respeito da quebra de sigilo. Na sexta (3), Lula confirmou que Serra o havia avisado sobre a divulgação em blogs de dados sigilosos de Verônica Serra e disse que tem assuntos "mais sérios" para tratar do que “censurar” blogs que divulgam notícias sobre a filha do tucano.

“Ninguém pediu censura. Pediu que ele apurasse. (...) A autoridade tem que mandar investigar sob pena de cometer crime de prevaricação. O primeiro ato seria mandar investigar, não desqualificar”, protestou Freire.

Postado por: Thatiane de Souza

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