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Oposição tenta responsabilizar Dilma por apagão; petistas relembram crise com FHC

Oposição tenta responsabilizar Dilma por apagão; petistas relembram crise com FHC

Atualizado: Quinta-feira, 12 Novembro de 2009 as 12

A oposição tenta responsabilizar a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) pelo apagão que atingiu 18 Estados do país na noite de terça-feira. Ex-ministra de Minas e Energia, Dilma ainda não se pronunciou sobre o assunto - ela ocupou a pasta de 2003 a junho de 2005.

Em nota, o vice-presidente do DEM, deputado José Carlos Aleluia (BA), diz que Dilma deve explicações sobre o modelo de setor elétrico adotado no país.

''O Democratas espera que a ministra assuma as suas responsabilidades, uma vez que, tão grave quanto ser culpada pela imposição de um modelo equivocado, é fugir na hora de explicar à nação o que realmente aconteceu e está acontecendo no sistema de abastecimento de energia'', diz Aleluia em nota.

De acordo com o blog do Josias, o Planalto mobilizou os operadores políticos do governo para proteger Dilma Rousseff. ''Acionados pelo Planalto, os líderes do governo se mobilizam no Congresso para evitar a convocação de Dilma'', diz o blog.

O ''Painel'' da Folha (só para assinantes do jornal e do UOL), editado por Renata Lo Prete, informa que a ausência de Dilma nas explicações dadas ontem pelo governo não se restringe apenas à estratégia de mantê-la longe do noticiário negativo. O ''Painel'' diz que a ministra ''vem reduzindo drasticamente a participação nas questões operacionais do governo''.

Para a oposição, entretanto, Dilma só não foi porta-voz das explicações do governo para o apagão porque o Planalto tenta blindá-la para as eleições de 2010.

''A Comissão Executiva Nacional do Democratas exige que a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, explique por que impôs um modelo de gestão atrasado e vulnerável ao sistema elétrico. O modelo Dilma tem como pilar o aparelhamento nocivo do Estado'', diz Aleluia.

O líder do PPS na Câmara, deputado Fernando Coruja (SC), diz que Dilma teria sido alertado com antecedência pelo TCU (Tribunal de Contas da União) sobre o risco de um apagão e nada fez.

''Este governo está mais preocupado em desmoralizar um órgão que faz advertências como estas do que com o gerenciamento do país. Precisamos ver se essas recomendações foram ignoradas pela futura candidata do PT'', disse Coruja. ''Esse blecaute pode ofuscar seriamente a candidatura dela porque é um macroincidente e que traz consequências internas e repercussões internacionais.''

No Twitter (microblog), o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini, pede que o debate do apagão se restrinja à área técnica.

''Será bom para o país se o debate sobre o blecaute for técnico. A pergunta a se fazer é: há alguma providência que deixou de ser tomada e possa ter contribuído para o tal efeito dominó? Se há, quem deixou de tomar a providência e porque? O que deve ser feito para minimizar o risco de novas interrupções? As opiniões partidárias são legítimas, mas é hora de tomar medidas adicionais, se for o caso'', escreveu ele.

Defesa

Coordenador do programa eleitoral do PT para as eleições de 2010, o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, desafiou nesta quarta-feira a oposição a levar para o debate eleitoral a questão do apagão elétrico.

Segundo Garcia, a pré-campanha de Dilma está pronta para rebater aos ataques porque a oposição não tem nem mais 'telhado de vidro' nesta questão.

''Eu não quero outra coisa se não que eles entrem na discussão sobre o tema energético. É exatamente o que eu quero. Porque nosso telhado é muito forte e o deles não é mais de vidro porque já quebrou'', disse ele ontem.

Garcia disse que o blecaute que atingiu 18 Estados e foi registrado entre a noite de ontem e a madrugada de hoje não pode ser comparado com os problemas no setor elétrico identificado durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

O líder do PT, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), criticou ontem a oposição e também relembrou da crise energética de 2001. ''O apagão deles foi um problema de falta de planejamento que prejudicou o Brasil por um ano'', disse. ''A oposição, mais uma vez, demonstra que não tem discurso.''

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