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Ozzy Osbourne lança décimo álbum de inéditas

Ozzy Osbourne lança décimo álbum de inéditas

Atualizado: Sexta-feira, 9 Julho de 2010 as 9:28

São quase dois minutos de total surpresa - ou desespero. "Let It Die", a primeira faixa do novo disco de Ozzy Osbourne,   Scream , soa computadorizada, metálica, artificial. Assusta, sim, mas por pouco tempo. Alívio. Depois de um início de batidas cadenciadas e a voz irreconhecível, é possível voltar a ouvir o bom e velho Madman.

Aos 61 anos, Ozzy lança seu décimo álbum de inéditas com muitas surpresas - a maior parte delas boa. Uma delas é o sotaque grego. O guitarrista Zakk Wylde, ao lado de Ozzy desde 1988 - quando foi lançado o disco   No Rest for the Wicked   -, foi substituído pelo grego Kostas Karamitroudis, mais conhecido como Gus G..

A injeção de sangue novo deu a   Scream   um corpo que Wylde, tão preocupado com seus projetos paralelos, entre eles, sua banda Black Label Society, já não conseguia. Gus G. chegou quando o CD já estava sendo produzido, mas o eletrizante solo de guitarra em "Soul Sucker", terceira faixa do disco, mostra do que ele é capaz.

Na bateria, foi escalado Tommy Clufetos, que já tocou com gente como Ted Nugent, Rob Zombie e Alice Cooper. Outro parceiro do álbum   Black Rain , de 2007, o produtor Kevin Churko, manteve a parceria com Ozzy neste disco e assina, ao lado dele, as letras e produção do novo álbum.

Depois de todas as mudanças, parece que Ozzy Osbourne lembrou o que é fazer um bom heavy metal. Scream , que teve seu lançamento oficial em 11 de junho e acaba de chegar ao Brasil, é seu melhor disco em duas décadas, e, principalmente, superior ao seu antecessor,   Black Rain , lançado em 2007.

O que se escuta em   Scream   é um metaleiro em forma, apesar da compreensível queda na potência vocal. Esqueça a múmia-viva e rouca que estrelou o seriado   The Osbournes , reality show da MTV que, de 2002 a 2005, televisionou o cotidiano da família do músico e mostrou ao mundo um velho debilitado depois de abusar das drogas.

Apesar da volta à boa forma, Ozzy parece resignado com a velhice. De fato, o tempo não para. Nem para um dos deuses do heavy metal. E mais: o tempo transforma. Agora, ele canta sobre despedidas, tempo perdido e a inevitável proximidade da morte. As canções "Let It Die", "Let Me Hear You Scream" e "Soul Sucker" formam um pesado trio de ferro de abertura.

Na 11ª e última faixa, porém, o questionamento muda. Volta o conformismo de um homem que vê a derrota na luta contra o tempo. Em um minuto, ele agradece e se despede, da melhor maneira que sabe: cantando: "Por todos esses anos em que vocês estiveram comigo / Deus os abençoe / Eu amo a todos".

Uma despedida desnecessária para quem, aos 61 anos, mostra neste novo CD que ainda tem rock e energia para passar muitos anos cantando e gritando nos palcos do mundo.

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