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PAC é uma "colagem de obras", diz Marina Silva

PAC é uma "colagem de obras", diz Marina Silva

Atualizado: Terça-feira, 25 Maio de 2010 as 3:17

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2007 e gerido, até sua saída do governo, pela então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, é uma "colagem de obras", afirmou nesta terça-feira (25) a pré-candidata do Partido Verde à Presidência da República, Marina Silva, na Confederação Nacional da Indústria (CNI). Dilma, pré-candidata pelo PT, discursou antes de Marina no mesmo evento.

"O PAC não é um programa. É uma colagem de obras. É gestão de obras. Não é um programa pensando o crescimento do Brasil para 20, 30 ou 40 anos. Estamos voltando ao período das trevas, ao invés de avançarmos para o futuro", disse Marina Silva a uma plateia composta por empresários. Acrescentou que parte dos recursos do PAC podem ser direcionados para o compensar o déficit da Previdência Social.

Transformações

A pré-candidata do PV disse ainda acreditar que a sociedade está "pronta" para fazer as transformações que o Brasil necessita. "[O Brasil] não vai ser de um partido, de uma pessoa. Vai ser de todos nós. Estou cada vez mais convicta que estamos quebrando paradigmas. Estamos saindo da visão patrimonialista de Estado ineficiente que cria cargos para conseguir governabilidade", disse.

Segundo ela, a sociedade está se dispondo a fazer um "movimento diferente, que é quebrar a ideia do plebiscito". "Fiquei triste quando o Ciro Gomes foi interditado. Ele geraria mais riqueza ao debate. No primeiro turno, a gente vota em quem acredita. No segundo turno, a gente se desvia do pior. Se é verdade que o Brasil é de todos, então, na democracia, no século XXI, são todos pelo Brasil", afirmou.

Papel da indústria

Sobre o papel da indústria no desenvolvimento do país, a pré-candidata do PV afirmou que o setor é "estratégico, importante e necessário". "Não há como pensarmos um país, um dos maiores produtores de minério do mundo, e quando tem de fazer as ferrovias em Minas Gerais, que mais produz minério no país, tem de comprar os trilhos da China. A indústria brasileira é fundamental. Não vamos ter como continuar pegando recursos e não utilizando da melhor forma possível porque faltam incentivos e instrumentos econômicos para isso", disse ela.

Juros altos e controle de gastos

A ex-ministra do Meio Ambiente também criticou o alto nível da taxa de juros brasileira. Atualmente, os juros estão em 9,5% ao ano, mas, em temos reais (após o abatimento da inflação projetada para os próximos 12 meses), somam cerca de 4,5% ao ano, os mais elevados do planeta.

"Os juros no Brasil são muito altos mesmo. É o uso do cachimbo só do lado da boca. Quando temos ameaça da inflação, elevam os juros e prejudicam os investimentos. Vamos ter de aprender a controlar a inflação utilizando de outras ferramentas. Diminuindo os gastos públicos. Se diminuirmos os gastos públicos, estaremos combinando novas ferramentas no combate a inflação.", afirmou Marina.

Por Alexandro Martello

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