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Pacientes reclamam de falta de atendimento em hospitais no Rio

Pacientes reclamam de falta de atendimento em hospitais no Rio

Atualizado: Quarta-feira, 21 Setembro de 2011 as 2:20

Pacientes que procuraram atendimento nas unidades de saúde públicas na madrugada desta quarta-feira (21) tiveram dificuldade. Na segunda-feira (19), um jovem que teve traumatismo craniano percorreu cinco hospitais da rede pública , mas só conseguiu atendimento na sexta unidade. Gabriel Santos Sales, de 21 anos, ficou sete horas em busca de um hospital, seguindo 88 quilômetros em uma ambulância. Seu estado de saúde é grave. No Hospital Adão Pereira Nunes, em Saracuruna, na Baixada Fluminense, Josilene sentia muitas dores no abdôme. A mãe dela apresentou exames de sangue e de urina. Com quase quatro horas de espera, ninguém havia dado esperança de um diagnóstico para o problema. E não era a primeira vez que a moça procurava atendimento com os mesmos sintomas. "Ela não foi atendida suficiente. Ela continua com dor, não teve medicamento, não teve nada", disse a mãe.

As reclamações nas emergências se multiplicaram na madrugada. Em meia hora na porta do Hospital estadual Getúlio Vargas, na Penha, Zona Norte do Rio, mais dois casos. Uma jovem de 16 anos, grávida de cinco meses, sentia muitas dores e suplicava por socorro. "Que hospital é esse, esse hospital não tem nada", desabafou Maria Luiza.

Logo depois, um táxi chegou trazendo outra mulher. Tatiana estava pálida, sentindo dores e com dificuldade para respirar e foi logo levada para dentro do hospital. O pai contou que na terça-feira (20) ela passou mal em casa e que chegou ao hospital às 15h de terça. Ela teria esperado o resultado de um exame de sangue até as 23h. Muito fraca, teria desistido da espera e voltado para casa. Foi quando passou mal outra vez e precisou retornar à unidade.

No Hospital Salgado Filho, no Méier, não havia ninguém à espera por atendimento. Mas a aparente tranquilidade do lado de fora escondia a superlotação lá dentro, como mostram imagens feitas pelo tio de um paciente. A emergência estava tão cheia que as pessoas foram acomodadas nos corredores.

O rapaz de 16 anos foi atropelado e levado na manhã de terça para o hospital. Ele ficou sentado numa cadeira mas, segundo a família, estava com várias fraturas pelo corpo. "O médico falou que ele tinha que ficar aqui dois ou três dias em observação. Mas como um garoto de 16 anos vai ficar em observação numa cadeira, sem estar deitado numa maca?", disse Raquel Pereira da Silva, mãe do paciente.

Na terça-feira (20), o secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, afirmou ser "inadmissível" o que aconteceu com o rapaz que percorreu cinco hospitais em busca de atendimento.

Côrtes determinou a abertura de uma sindicância para apurar os atendimentos em todos os hospitais por onde Gabriel passou. "Na sindicância nós vamos solicitar todo o atendimento dele em cada um desses locais onde ele passou, desde o posto de saúde em Xerém, (na Baixada Fluminense), ao Hospital de Saracuruna (Adão Pereira Nunes), ao [Hospital estadual] Carlos Chagas e até mesmo ao [Hospital municipal] Salgado Filho. É uma situação inadmissível. O início da situação já é totalmente errado".

Sobre a superlotação da emergência do Salgado Filho, a Secretaria municipal de Saúde disse que nos últimos dois anos dobrou o acesso à rede de urgência e emergência, com a ampliação dos serviços hospitalares e a abertura de dez unidades de pronto atendimento. Além disso, afirma que vem adotando uma série de reformas e reestruturações na rede hospitalar. O plano prevê, ainda, o aumento em mais de 500 leitos hospitalares.        

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