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Pai de afogado faz vigília no RJ e diz ter certeza que filho está morto

Pai de afogado faz vigília no RJ

Atualizado: Segunda-feira, 16 Abril de 2012 as 2:34

No Rio desde a manhã de domingo (15), quando chegou de Mauá, localidade do ABC paulista, Rubens Willisk Dias cumpre uma solitária vigília num banco de madeira do calçadão do Arpoador, na Zona Sul. Ele já não espera por notícias do filho: tem certeza que William da Silva Dias, de 22 anos, está morto. Ele aguarda apenas pelo corpo.

William e um amigo estavam numa pedra do Arpoador no sábado (14), quando uma onda os jogou o mar. O amigo foi resgatado pelos bombeiros, mas William continua desaparecido. Bombeiros fazem buscas desde sábado.

"Que ele está morto eu sei. O difícil agora é esperar o corpo aparecer. É um sofrimento. É impossível sobreviver nesse mar agitado, ainda mais ele que não sabia nadar. Certamente ele bateu a cabeça numa pedra no fundo do mar e morreu. Nem sei se vai dar para achar o corpo. Tem muita correnteza aqui", disse ele.

Pedreiro, casado com uma diarista, pai de uma outra filha que tem leucemia e aguarda na fila por um transplante de medula, Rubens se queixava de falta de informações por parte dos bombeiros e disse que se o corpo não aparecesse nesta segunda, teria que voltar para sua casa. Sem recursos, ele passou a noite de domingo para segunda num quiosque da região.

"No Rio tudo é muito caro", disse.

Discreto e simples, Rubens é um homem sofrido que fala com carinho do filho que era usuário de drogas, desempregado e "vivia numa ilusão".

"Ele usava drogas, mas nunca roubou dinheiro dos pais nem foi violento. Apenas vivia num mundo de mentira. Até tinha estudo, mas não parava em emprego. O casamento dele acabou. Foi a primeira vez que veio ao Rio de Janeiro", disse o pedreiro, preocupado em voltar para casa para cuidar dos dois netos, filhos do William, que ele e a mulher ajudam a criar, e dos dois "filhos do coração", um menino e uma menina que adotou.

"Já falei para a mulher que ele está morto. Ela está triste, mas conformada. E agora só quer o corpo dele, como eu."

Pelo terceiro dia consecutivo, bombeiros do Grupamento Marítimo (G-Mar) de Copacabana retomaram, às 8h desta segunda, o trabalho de buscas por William. Segundo a assessoria do Corpo de Bombeiros, de 10 a 15 homens participam da ação.

Por volta das 11h30, as buscas foram interrompidas para serem retomadas à tarde, informaram guarda-vidas do posto de salvamento.

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