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Pai de aluno que se matou diz que pressa o fez deixar arma carregada

Pai de aluno que se matou diz que pressa o fez deixar arma carregada

Atualizado: Quarta-feira, 28 Setembro de 2011 as 2:03

O guarda-civil Milton Evangelista Nogueira, pai do menino Davi Mota Nogueira, de 10 anos, que atirou contra uma professora e em seguida se matou dentro de uma escola em São Caetano do Sul, no ABC, disse nesta quarta-feira (28) em depoimento à polícia que deixou a arma usada pelo filho carregada em casa pois estava com pressa. O guarda afirmou que sempre guardava a arma sem munição, mas que naquele dia a esqueceu com as balas. A arma estava sobre um armário e foi usada pelo menino para atirar na professora Rosileide Queiroz de Oliveira e em seguida em si mesmo. Milton, a mulher, Elenice Mota Nogueira, 38 anos, e o outro filho do casal, de 14 anos, entraram no 3º Distrito Policial da cidade junto com a delegada titular, Lucy Fernandes, por volta das 9h30. De acordo com a delegada, o depoimento do pai, o primeiro a falar, durou cerca de duas horas. Ele chorou muito e se mostrou inconformado com o ocorrido.

O guarda-civil contou que logo que se lembrou que havia deixado a arma carrega foi procurá-la e não a encontrou. Ele perguntou à mulher, que disse não ter mexido no armário. Em seguida, o pai foi até a escola falar com os filhos – os dois negaram que estivessem com a arma.   O pai pode ser responsabilizado por negligência por não ter impedido o filho de pegar o revólver calibre 38 que guardada em casa. Por volta das 13h, os pais e o irmão de Davi saíram do DP sem falar com a imprensa.

Entre as hipóteses consideradas pela polícia para explicar o crime estão bullying e disparo acidental. A polícia também investiga se o garoto quis se vingar da professora porque não gostava dela ou por sofrer humilhações, ou se teria tentado dar um susto em Rosileide e se matou com medo das consequências após feri-la.

Professora

A professora Rosileide afirmou nunca ter tido qualquer problema com Davi, segundo disseram seus parentes ao G1 . Ela deve passar por uma nova cirurgia nesta quarta-feira (28), segundo informou a assessoria de imprensa do Hospital das Clínicas de São Paulo, onde ela está internada. Quando foi atingida no quadril pelo disparo, ela caiu e fraturou a patela do joelho, que foi imobilizada no dia e agora terá de ser fixada. Rosileide está em observação num quarto do hospital. Ela se recupera da cirurgia que retirou a bala que a feriu.

A delegada Lucy pretende ouvir o depoimento de Rosileide a partir das 10h de quinta-feira (29) no hospital.

Alunos soltaram balões brancos em escola do ABC em homenagem

 a professora e a aluno (Foto: Adriano Lima/Foto Arena/AE)    

Volta às aulas

Alunos da Escola Municipal Professora Alcina Dantas Feijão soltaram balões brancos no colégio na manhã desta quarta em homenagem ao aluno e à professora. As aulas foram suspensas após o crime e retomadas nesta manhã. Os portões da unidade de ensino foram abertos às 7h. Os alunos usavam camisetas brancas e seguravam rosas e balões da mesma cor. Os estudantes combinaram um ato silencioso simbólico pela internet, por meio das redes sociais como o Facebook.

Poucos alunos foram à escola acompanhados dos pais nesta manhã. Os estudantes diziam estar abalados emocionalmente em retornar ao local da tragédia. Outros afirmaram ter medo de passar pela sala, corredor e escada onde ocorreu o crime.

Psicólogos vão ficar na escola por tempo indeterminado, até quando a presença deles for considerada necessária para dar apoio aos alunos e funcionários do colégio.          

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