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Pai de jovem que morreu em SP diz que trânsito é uma guerra

Pai de jovem que morreu em SP diz que trânsito é uma guerra

Atualizado: Segunda-feira, 20 Junho de 2011 as 10:56

O pai da dona de casa Talita Galvão Guimarães Nascimento, de 23 anos, morta após cair com o namorado de uma ponte sobre a Marginal Pinheiros, disse na manhã desta segunda-feira (20) estar indignado com o tráfego na capital paulista. “O trânsito de São Paulo é uma guerra”, afirmou o supervisor financeiro Ricardo do Nascimento, de 43 anos.

Talita, que estava grávida de 9 meses, e o dedetizador Eduardo Jesus dos Santos, de 26 anos, voltavam de moto para casa na noite de domingo (19) após uma festa ocorrida no Morumbi, na Zona Sul. Quando passava pela Ponte João Dias, seu namorado perdeu o controle do veículo e colidiu em uma mureta.     O casal foi arremessado e caiu sobre a pista sentido Rodovia Castello Branco da marginal. Os dois foram atropelados em seguida e o motorista que os atingiu fugiu sem prestar socorro. Santos morreu no local. Talita foi levada ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu. Os médicos fizeram uma cesariana de emergência para tentar salvar o bebê, que também morreu.

De acordo com o pai da jovem, toda a família estava feliz com a chegada de William, como se chamaria a criança. “Eles tinham comprado todas as roupinhas, tinham arrumado o bercinho. A Talita se dedicava o tempo todo ao lar, para receber a criança”, disse. “A gente vê notícias assim o tempo todo e pensamos que nunca vai acontecer com a gente. O ciclo da vida está mudando. Antes, os filhos enterravam os pais. Agora, são os pais que enterram os filhos.”

Tias de vítima, Lucia (à esq.) e Samanta aguardam

liberação de corpos (Foto: Paulo Toledo Piza/G1)

  Tia da dona de casa, a entrevistadora Samanta Serrano Galvão Guimarães, de 46 anos, lutava para conter as lágrimas em frente ao prédio do Instituto Médico-Legal Sul, no Brooklin, Zona Sul. Ela afirmou que o casal estava muito feliz no domingo, durante festa de uma tia-avó de 86 anos. “Comemoramos o aniversário da mais velha da família e o nascimento do mais novo membro.”

Santos e Talita não eram casados, mas moravam juntos em uma casa em Pirituba. A jovem já tinha um filho de 4 anos. O garoto, que vive com os avós maternos, ainda não sabe do destino da mãe e os parentes ainda não sabem como contarão para ele sobre a morte.

“Antigamente as crianças ouviam que a mãe estava no céu. Isso não funciona mais. A criançada está mais esperta”, disse a fisioterapeuta Lucia Serrana Galvão, de 47 anos, também tia de Talita. A família do casal aguardava às 10h20 desta segunda a liberação dos corpos para decidir onde será o velório.        

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