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Pai de menino morto em hospital do Rio chega à delegacia para depor

Pai de menino morto em hospital do Rio chega à delegacia para depor

Atualizado: Quarta-feira, 1 Junho de 2011 as 11:43

Márcio, de camisa branca, de costas, chega à

delegacia para prestar depoimento

(Foto: Carolina Lauriano / G1)     A polícia começou a ouvir na manhã desta quarta-feira (1º) os depoimentos dos parentes do menino de 3 anos, que não resistiu às três cirurgias realizadas no Hospital infantil Samci, no Andaraí, na Zona Norte do Rio. O pai da criança, Márcio Anderson, foi o primeiro a chegar à 20ª DP (Vila Isabel), por volta das 10h.

A criança foi enterrada na tarde desta terça-feira (31) no cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, na Zona Oeste.

De acordo com a polícia, nesta quarta só serão ouvidos os parentes. Além do pai, a mãe, o padrasto e a tia do menino também devem dar esclarecimentos sobre o caso. Já a equipe médica deverá prestar depoimento na quinta-feira (2).

O delegado responsável pelo caso, Rodolfo Waldeck Monteiro, teve acesso, nesta terça-feira (31), ao laudo médico do menino. Ele aguarda o resultado do Instituto Médico Legal, que deve atestar a causa da morte. A polícia investiga se houve erro médico ou negligência dos profissionais. De acordo com a nota divulgada pelo hospital nesta terça, o óbito foi constatado às 18h de segunda-feira (30), tendo como causa provável broncoaspiração.

“Eu já repassei esse laudo para os técnicos do IML. Ainda é muito cedo para apontar culpados, preciso ouvir todos os envolvidos, sejam médicos, enfermeiros, pais, parentes, enfim, quem teve contato com a criança”, explicou Monteiro, na terça-feira.     Procedimentos cirúrgicos simples Márcio Anderson está inconformado com a morte

do filho de 3 anos (Foto: Reprodução/ TV Globo)     O menino morreu após passar por três procedimentos cirúrgicos, considerados simples pelos médicos. Ele foi submetido a "postectomia (correção da fimose), adenoidectomica (procedimento cirúrgico responsável pela remoção de uma formação linfóide que cerca as cavidades nasais) e turbinectomia (cirurgia para remover parte das estruturas dos cornetos nasais - ambos os ossos e tecidos moles - na cavidade nasal)".

Ainda na nota divulgada nesta terça (31), o Hospital Samci afirmou que "os procedimentos transcorreram sem qualquer anormalidade sob o ponto de vista cirúrgico e anestésico, tendo sido liberado do ato cirúrgico após superficialização anestésica".

Além da polícia, o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) informou, na terça-feira (31), que pretende abrir uma sindicância para investigar o caso.

Pai reclama de falta de assitência do hospital

Na terça-feira (31), o pai da criança, Márcio Anderson, falou ao G1. Ele reclamou da falta de assistência do hospital. “Ninguém deu atenção para a gente no hospital. Ninguém falava nada”, disse. Ainda segundo ele, a família chegou a ser chamada por alguns médicos. “Chegou um determinado momento que uma das pessoas que participou da cirurgia do meu filho nos chamou lá em cima para conversar e disseram na nossa cara que não sabiam explicar o que tinha acontecido”, afirmou.

Márcio declarou ainda que, a princípio, os médicos disseram que o menino havia tido uma parada respiratória provocada pela ingestão de uma secreção. Para ele, o acompanhamento médico não foi adequado.

“Ele saiu da cirurgia e dormiu desde então. Não sei se meu filho acordou, não sei nem se ele abriu os olhos”, disse com a voz embargada, acrescentando que a mãe do menino passou o dia inteiro ao lado da criança. “A enfermeira falou para ela que era normal (ele dormir) devido a anestesia e que seria bom por causa das dores”, contou ele.

Médica em outro hospital

Segundo o pai do menino, a médica que participou da cirurgia não estava no hospital na hora do óbito. "A médica que tinha operado tinha saído do plantão para poder cumprir outro plantão em um outro hospital, o Souza Aguiar. Ela saiu com tanta pressa que nem o óbito do meu filho conseguiu aprontar. Tivemos que enviar uma equipe médica até o outro hospital para que ela pudesse assinar o atestado de óbito do menino", reclamou.

Os agentes da 20ª DP (Vila Isabel) foram nesta terça até o Hospital Souza Aguiar, para descobrir se a médica realmente estava no local durante o óbito da criança.

Justiça

A família agora analisa a possibilidade de entrar na Justiça contra o hospital. “Meu sentimento é de justiça. Quantas vezes mais vamos ter que perder crianças dessa forma?”, indagou Márcio.

O advogado da família já foi acionado e está estudando o caso.        

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