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Pai preso por morte de filha em SP diz à polícia estar arrependido

Pai preso por morte de filha em SP diz à polícia estar arrependido

Atualizado: Segunda-feira, 28 Novembro de 2011 as 2:07

 O homem de 30 anos que confessou ter escondido o corpo da filha de 2 anos em um bueiro e forjado um sequestro para justificar a morte da criança disse em depoimento à polícia estar arrependido do crime. De acordo com o boletim de ocorrência registrado no 69º Distrito Policial, em Teotônio Vilela, na Zona Leste de São Paulo, o homem disse à polícia que a criança caiu dentro de casa e se machucou na quinta-feira (24). Com medo de ser responsabilizado pela lesão, ele e a mulher, a madrasta da menina, não a socorreram. A criança amanheceu morta no sábado (26), e seu corpo colocado em um bueiro pelo casal.

Ainda segundo o depoimento, o pai afirmou que bateu algumas vezes na menina – segundo a madrasta, ele fazia isso com palmadas e chineladas, inclusive no rosto, para corrigi-la – a criança fazia suas necessidades fisiológicas no chão. O homem disse à polícia que sua mulher nunca havia batido na criança e que ela o ajudou no plano para se desfazer do corpo por medo de perder a guarda de seus filhos – o casal tem duas crianças, de 1 ano e 11 meses e de 5 meses. De acordo com o depoimento do pai, a menina bateu ao cabeça ao cair dentro de casa, que tem um piso de brita. A menina não melhorou ao longo dos dias e no sábado pela manhã o casal percebeu que ela não respirava e não tinha batimentos cardíacos. O homem relatou ter entrado em desespero, enrolou o corpo da menina em um lençol branco e o deixou em um bueiro no Jardim Iva.

Para justificar a morte da filha, o homem resolveu inventar um assalto e um sequestro. Ele ligou para a central telefônica da PM por volta das 10h deste domingo (27), afirmando ter sido abordado por criminosos em duas motos que levaram seu carro com a filha dentro.

Uma hora depois, a polícia encontrou o veículo em uma rua do Jardim Iva. Moradores disseram à polícia que o carro havia sido deixado no local por volta das 6h. A PM também estranhou o fato de o motor estar frio.

O homem foi contestado, confessou o ocorrido e levou os policiais ao bueiro onde estava o corpo da menina. Segundo a polícia, ela tinha hematomas espalhados pelo corpo.

Família

A menina era fruto de uma relação extraconjugal do homem de 30 anos. Ele teve um relacionamento com a mãe da criança, que teve a guarda da menina até outubro deste ano. Na época, segundo o boletim de ocorrência, a mãe deixou a filha com sua avó materna – que levou a criança para a casa do pai. O homem disse em depoimento que a devolveu à avó, mas a criança acabou voltando para sua casa. Ele, então, começou a criá-la – e disse que a mãe da criança não o procurou. Ao Conselho Tutelar, a mulher disse que chegou a procurar o pai da menina para vê-la, mas que ele não a autorizou.

A atual mulher do homem, madrasta da menina que morreu, disse que sabia da traição e perdoou o marido. Ela afirmou que o homem aplicava “corretivos” na menina, e disse que foi dele a ideia de se desfazer do corpo e de simular o sequestro. A mulher, entretanto, disse que só ficou sabendo de como foi feita a simulação na delegacia.

A madrasta também negou que tenha batido na menina, e afirmou que a morte foi causada pela queda. Os dois foram presos e vão responder a processo por falsa comunicação de crime, ocultação de cadáver e homicídio duplamente qualificado. Para a polícia, eles a mataram por motivo fútil e usando meio cruel. Eles permaneciam no 69º Distrito Policial nesta manhã.

Conselho Tutelar

Os dois filhos do casal estão sob a responsabilidade do Conselho Tutelar em São Rafael, na Zona Leste, que os encaminhou para um abrigo na Penha. O conselho irá elaborar um relatório para verificar se algum parente tem condições de ficar com a criança. Esse documento será encaminhado à Vara da Infância e da Juventude, que irá decidir o destino das crianças.

Em depoimento, a mulher afirmou desejar que seus filhos fiquem com sua mãe. O conselho também informou que nunca havia sido acionado para ocorrências com a família.        

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