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Palanques com Lula não garantem vitória a Dilma nos municípios

Palanques com Lula não garantem vitória a Dilma nos municípios

Atualizado: Quarta-feira, 3 Novembro de 2010 as 9

A presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em comícios da ex-candidata e presidente eleita Dilma Rousseff não foi garantia de vitória do PT nas cidades que receberam os atos políticos.

Desde o início oficial da campanha presidencial, em julho, Lula e Dilma subiram juntos em palanques em 25 municípios. Dilma venceu a votação do segundo turno em 15 dessas cidades. Nos outros dez municípios, o vencedor foi José Serra (PSDB).

As cidades em que Dilma fez comício com Lula e obteve maior vantagem foram Garanhuns (PE), terra natal do presidente, e Salvador (BA). A presidente eleita alcançou 85,48% dos votos válidos ante 14,52% de Serra no município do agreste pernambucano. Na capital baiana, chegou a 73,34% dos votos válidos, contra 26,66% do tucano.

Já o ex-candidato do PSDB registrou melhor desempenho em cidades sulistas. Em Curitiba, que recebeu dois comícios de Lula e Dilma, superou a petista com 63,64% dos votos válidos, contra 36,36% da presidente eleita. Também obteve desempenho semelhante em Joinville (SC), com 63,14% dos votos, ante 36,86% de Dilma.

Atos seguiram roteiro semelhante

Os comícios de Dilma na campanha seguiram roteiro semelhante. Em quase todas as ocasiões, encerravam um dia de "agenda casada" do presidente, com atividades oficiais durante o dia e ato de campanha à noite, especificado como "compromisso privado" na agenda divulgada diariamente pelo Planalto. Invariavelmente, como estratégia para evitar dispersão do público antes do final, Lula encerrava os atos.

Ao todo, Lula e Dilma subiram juntos no palanque por 27 vezes (as sulistas Porto Alegre e Curitiba receberam dois comícios cada uma), para atos que privilegiaram municípios de mais de 200 mil habitantes nas regiões Sudeste (dez cidades), Nordeste (cinco) e Sul (cinco). Houve quatro comícios no Centro-Oeste e apenas um no Norte, em Ananindeua, cidade do entorno de Belém.

Dilma também bateu nas mesmas teclas nos discursos. Por diversas vezes, procurou contrapor a gestão petista ao governo anterior citando dados de mobilidade social do governo Lula e o pagamento da dívida com o Fundo Monetário Internacional.

No primeiro turno, reiterava o discurso de gênero e a imagem da "mãe" que cuidará do povo como um filho. Dizia que, primeira mulher presidente, não poderia errar para atestar a capacidade das mulheres, assim como Lula provara que um metalúrgico poderia governar.

Na reta final do primeiro turno e na segunda etapa, os discursos de Dilma passaram a incorporar mais críticas à oposição, que acusava de "espalhar ódio e mentira". Com o acirramento da discussão sobre religião, tambem passou a usar referências a Deus.

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