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Papa não mudou posição sobre uso de preservativo, diz dom Odilo

Papa não mudou posição sobre uso de preservativo, diz dom Odilo

Atualizado: Quarta-feira, 24 Novembro de 2010 as 2:09

O arcebispo metropolitano de São Paulo, cadeal dom Odilo Scherer, afirmou na manhã desta quarta-feira (24) que a Igreja Católica não mudou sua posição em relação ao uso do preservativo. Dom Odilo comentou as declarações do Papa Bento XVI que considera aceitável o uso de preservativos “em certos casos” para evitar a transmissão de doenças.

“Quem está dizendo que a Igreja mudou está dizendo uma mentira. O Papa não mudou a posição moral da Igreja com relação ao uso de preservativo. A posição da Igreja é pela valorização da sexualidade e pela humanização da sexualidade. Por isso, a posição da Igreja é contrária à banalização da sexualidade”, afirmou dom Odilo, que passou cerca de 10 dias em Roma, onde participou de um consistório um encontro do papa com os cardeais.

O arcebispo, durante entrevista coletiva na Cúria Metropolitana de São Paulo, fez questão de ler um trecho do livro “Luz do mundo: o Papa, a Igreja e o sinais do tempo”, do jornalista alemão Peter Seewald, que teve trecho publicado pelo jornal italiano "Avvenire". Nesse trecho, Bento XVI narra em qual contexto teria dado uma polêmica declaração contrária ao uso do preservativo durante sua viagem para a África em 2009.

Dom Odilo leu a seguinte declaração do Papa, publicada no livro do jornalista alemão e divulgada pelo jornal italiano, sobre o que o sumo pontífice sentiu ao ser questionado pelo jornalista durante o voo para a África: “Eu me senti desafiado, porque a Igreja faz mais do que todos os outros com relação aos doentes da Aids. A Igreja é a única instituição verdadeiramente próxima às pessoas na prevenção, na educação, na ajuda, no aconselhamento e no fato de estar ao lado das pessoas doentes”.

Segundo dom Odilo,  Bento XVI acredita que o combate à Aids não se limita à distribuição de preservativos. “Não se pode resolver o problema com a distribuição dos profiláticos. É preciso fazer muito mais. É preciso estar próximo às pessoas, ajudá-las antes que fiquem doentes”, declarou o arcebispo de São Paulo lendo o trecho do livro publicado pelo jornal italiano.

“Concentrar-se apenas sobre o profilático quer dizer banalizar a sexualidade. Essa é a razão perigosa pela qual tantas e tantas pessoas não veem mais na sexualidade a expressão do seu amor, mas uma espécie de droga”, disse dom Odilo ao comentar a posição da Igreja.    

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