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Papel principal de "O Médico e o Monstro" foi disputado por veteranos

Papel principal de "O Médico e o Monstro" foi disputado por veteranos

Atualizado: Quinta-feira, 8 Julho de 2010 as 11:29

"Jekyll & Hide - O Médico e o Monstro", que tem montagem em versão brasileira em pré-estreia nesta quinta-feira (8), para convidados, em São Paulo, é um "Hamlet" dos musicais.

Não que sua dramaturgia se equipare à obra de Shakespeare, mas o personagem central é o papel que desperta a cobiça de experientes intérpretes-cantores.

Na peça baseada na obra clássica de Robert Louis Stevenson (1850-1894), o médico Jekyll transforma-se no assassino Hyde, como resultado imprevisto de experimentos científicos.

Essa transição é sempre para lá de performática, com brechas para solilóquios virtuosos. O desafio de interpretá-lo levou veteranos da primeira geração da Broadway paulistana a disputar o papel, em audições.

Nando Prado, 31, foi o escolhido. Em pré-estreia do espetáculo para convidados, na última terça, Prado mostrou porque venceu --tirou de letra a difícil cena ápice do espetáculo, em que Jekyll se debate contra seu próprio alter ego do mal.

Ele falou à Folha enquanto fazia a barba e se maquiava, antes de entrar em cena, na pré-estreia de "Jekyll & Hyde - O Médico e o Monstro", anteontem.

O espetáculo custou R$ 6 milhões, dos quais R$ 3,5 milhões foram reunidos com benefício da Lei Rouanet.

Apesar do vulto do empreendimento, Prado parecia tranquilo. Ouvia música no tocador de MP3. Só não cantava para poupar a voz.

"Minha mulher e minha mãe já foram avisadas: vou ficar em silêncio nos próximos dias", disse. Jekyll (o médico) tem voz suave, mas Hyde (o monstro), canta áspero, o que pode desgastar suas cordas vocais.

Prado e os demais 27 intérpretes dessa montagem de Fred Hanson farão cinco apresentações semanais.

Ao lado do aparelho de som, encostados à parede, três pôsteres de seus principais trabalhos --foi protagonista de "Miss Saigon" e "O Fantasma da Ópera".

"É um currículo de personagens viris", resume ele. O ator não considera seu porte atlético apenas como um atributo estético. Serve-se dele em cenas que exigem força. Em "Jekyll & Hyde", em momentos de euforia, seu personagem escala o cenário com a agilidade de um gorila.

Já a franja loira ajuda na composição do assassino. Cobre seu rosto quando baixa nele a "força do mal". Para fazer "o caminhar do vilão", Prado usou pesos de 5 kg nas canelas durante uma semana. "No fim, minhas pernas incorporaram a memória daquele movimento", diz, demonstrando o andar estereotipado de um Incrível Hulk.

Na adolescência, achou que seria atleta. Jogou handbol com obstinação para tornar-se profissional. Acha que isso o ajudou a desenvolver bons reflexos em cena.

Segundo um músico da orquestra que acompanha o espetáculo, se acontece de o coro se adiantar em relação ao instrumental, Prado percebe rápido. A tempo de frear. Quanto à carreira, ele agora só acelera.

JEKYLL & HYDE - O MÉDICO E O MONSTRO

QUANDO: pré-estreia hoje para convidados e estreia amanhã; qui., às 21h; sex. às 21h30; sáb., às 17h e às 21h; dom., às 18h (a partir de 18/7); até 18/10

ONDE: teatro Bradesco (r. Turiassú, 2.100, tel. 0/ xx/11/ 3670-4141)

QUANTO: R$ 40 a R$ 190

CLASSIFICAÇÃO: 12 anos

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