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Para consumidor, preço não é tudo na hora de escolher entre autêntico e "genérico"

Para consumidor, preço não é tudo na hora de escolher entre autêntico e "genérico"

Atualizado: Sexta-feira, 13 Fevereiro de 2009 as 12

"O barato sai caro", sugere o ditado popular usado muitas vezes pelos consumidores brasileiros. De acordo com a psicóloga Cecília Russo, da Troiano Consultoria de Marcas, a frase é mais verdadeira para quem tem menos poder aquisitivo e não pode desperdiçar dinheiro.

Segundo a pesquisadora de mercado, "um consumidor classe média pode se dar ao luxo de comprar um biscoito murcho, pois facilmente poderá repor. Já uma pessoa da classe D, se o biscoito estiver murcho, só poderá comprar um novo pacote no mês seguinte", compara, para explicar que o consumidor que recebe até três salários mínimos, além do preço acessível, também quer levar para casa um produto de qualidade, de uma marca de confiança.

Além de usar a razão e ponderar custo e qualidade, o consumidor pobre também age emocionalmente. "As necessidades são satisfeitas de maneira diferente, não só por causa da renda", diz Marcelo Esteves Alves, professor da Universidade de São Paulo (USP).

As escolhas podem ser feitas, por exemplo, para agradar a família. "A mãe não pode levar os filhos a uma lanchonete, mas pode expressar o cuidado com eles na escolha do sabão em pó", relata Cecília Russo, citando o caso da marca campeã em venda e que não tem o menor preço do mercado.

"As pessoas valorizam marcas que gerem confiança e as favoreçam a estar mais próximas dos seus projetos de vida", diz a psicóloga, ressaltando que os consumidores mais pobres preferem levar produtos de marca autêntica à cópia falsa, "pirata" ou "genérica". Fora a funcionalidade, os bens de consumo têm valor simbólico. Um produto falso "reafirma o que aquele consumidor não pode e afeta a auto-estima", analisa.

Marcelo Esteves Alves lembra que não há um comportamento homogêneo entre os consumidores da mesma classe econômica. "Uma parte pode preferir o genérico e outra o autêntico em 10 vezes", relata, após aplicar questionário em 1.092 domicílios de quatro bairros populares de Diadema, São Bernardo e São Paulo "O genérico é a forma acessível de comprar a carga simbólica [status] que vai além da funcionalidade", acrescenta.

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