Para Simon, não há problema em Dilma aceitar indicações de Lula para ministérios

Para Simon, não há problema em Dilma aceitar indicações de Lula para ministérios

Atualizado: Sexta-feira, 3 Dezembro de 2010 as 3:58

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) avaliou no Plenário, nesta sexta-feira (3), como positivo o fato de o presidente Lula e sua sucessora, Dilma Rousseff, trabalharem juntos na definição da futura equipe ministerial, assim como no aproveitamento de nomes do grupo atual. Em Plenário, ao observar que esse fato vem dando margem a diversas interpretações, Simon disse que o "diálogo e a intimidade" entre eles favorecem a transição de governo que, como destacou, poderá ser a mais tranqüila da história do país.

- A imprensa está brincando dizendo que está mais para a continuação do segundo governo do Lula. Eu não vejo muito milagre no que a Dilma poderia fazer com relação a trazer ministros de fora. Ela está há oito anos no governo do Lula com uma equipe em que muitos se revelaram altamente positivos e com os quais ela conviveu. Como ela inventaria nomes novos? - questionou.

Como o ministério será mais "Lula do que Dilma", avaliou Simon, a futura presidente terá de revelar a personalidade de seu governo pelo que irá fazer. Ele sugeriu que Dilma começará bem se tiver coragem de fazer, conforme assinalou, "o que todo presidente e todo mundo diz que tem de ser feito, ou vai ser feito, mas não fizeram". Nesse caso, ele se referia às reformas política, partidária e eleitoral, além da tributária.

- O Lula, agora, quando está se despedindo, diz que entrega o governo e no dia 1º de janeiro vai iniciar a caminhada pela reforma política, eleitoral, partidária e tributária. Uma bela idéia, uma bela disposição, mas com oito anos de atraso - criticou.

Para Simon, a reforma eleitoral é "absolutamente necessária".Ele disse que, nas condições atuais, um deputado tem de "gastar um mar de dinheiro para comprar a eleição", sem que a Justiça Eleitoral possa fazer qualquer fiscalização.

Quanto à reforma partidária, o senador defende a criação de cláusula de barreira. Assim, acredita, seria possível afastar da vida político-partidária agremiações sem densidade que vendem espaço de propaganda política na tevê para arrecadar recursos e alimentar as campanhas de seus candidatos.

O senador disse que Dilma pode ainda se diferenciar de Lula e também de Fernando Henrique pela forma de agir diante de eventuais desvios de conduta dos integrantes da equipe de governo, sem tolerância. Simon lembrou que a própria Dilma, no discurso da vitória, admitiu que as indicações seriam políticas, mas ressalvou que os escolhidos teriam "capacidade técnica e vida irreparável". Para Simon, os partidos podem mesmo indicar, mas é uma "obrigação" examinar quem são os candidatos.

- Se a pessoa indicada para ministro já tem um passado e nesse passado já tem antecedente e se nesse antecedente há um fato sério, e mesmo assim ela virar ministro, a culpa é da presidente - observou.

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