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Para Vannuchi, erros da polícia em caso de Santo André devem ser apurados

Para Vannuchi, erros da polícia em caso de Santo André devem ser apurados

Atualizado: Sexta-feira, 24 Outubro de 2008 as 12

Para Vannuchi, erros da polícia em caso de Santo André devem ser apurados

O ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos afirmou nesta quinta-feira, dia 23 de outubro, que o seqüestro da menina Eloá Cristina Pimentel, 15 anos, que terminou com a morte da garota e o ferimento de sua amiga, Nayara Rodrigues da Silva, também de 15 anos, deve se tornar uma lição para a polícia e a sociedade.

"Temos muito o que aprender com esta tragédia. O caso deveria ser levado para as academias de polícia e usado como forma de estudo para prevenir este tipo de ação", afirmou o ministro durante o Congresso Brasileiro dos Direitos da Criança e do Adolescente: 18 Anos do ECA - Avanços e Desafios em São Paulo.

Para Vannuchi, o erro da polícia deve ser apurado e estudado. "Que outro procedimento poderia ser tomado? Hoje já existem armas não-letais que poderiam ser usadas. Se um leão desmaia em segundos com um calmante, quem dirá um homem, que é muito menor?", questionou.

O ministro disse ainda que os equívocos ocorridos em Santo André não decorrem somente dos policiais, mas também da falta de equipamento adequado. "Com uma microcâmera, por exemplo, teriam visto todos os movimentos do criminoso e, poderiam assim, surpreendê-lo."

O ministro também ressaltou que o papel da mídia deve ser estudado. "Criou-se um espetáculo em torno do caso, as emissoras disputando entrevistas de um criminoso em um seqüestro em andamento. A mídia não é culpada, mas precisa ter consciência de seu papel na sociedade", completou.

Vannuchi lembrou ainda do caso Isabella Nardoni, menina de 5 anos assassinada em abril deste ano. "Foram centenas de horas de rádio e na TV, mas ninguém pensou em entrevistar um educador para falar com os pais que agridem seus filhos. Quantos pais não poderiam ter sido alertados para procurar ajuda, cuidados médicos e psicológicos?", questiona o ministro.

Durante discurso, o ministro contou um episódio ocorrido no prédio do Ministério da Justiça, em Brasília. Segundo ele, um de seus funcionários ouviu uma faxineira comentar que "a morte da menina é culpa da pessoa dos direitos humanos".

"No começo da redemocratização do país, quando se começou a falar em direitos humanos no país, alguns expoentes da ditadura afirmavam que a defesa dos direitos humanos era defesa de bandidos. Infelizmente, em alguns segmentos da sociedade este discurso 'colou'."

Vanucchi reiterou que a ação da polícia em Santo André não foi pautada pela proteção da vida das adolescentes. "Ter deixado Nayara retornar ao local foi um erro lamentável da polícia que não protegeu seu direito à vida, não da garota."

O ministro afirmou que o episódio deve servir de lição para a polícia, a mídia e a sociedade. "Vamos aproveitar esta tragédia para educar as pessoas."

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