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Passageiros mudam planos após cancelamentos de voos em SC

Passageiros mudam planos após cancelamentos de voos em SC

Atualizado: Sexta-feira, 10 Junho de 2011 as 3:15

Produtor musical Ricardo Vidal decidiu pegar um ônibus

após diversos cancelamentos de seu voo

(Foto: Maria Angélica Oliveira/G1)

      Sentada no saguão do aeroporto de Navegantes (SC) na manhã desta sexta-feira (10) a comerciante Roseli Terezinha Caetano sonha com os vinhos e queijos de Campos do Jordão (SP) enquanto a nuvem de cinzas expelidas pelo vulcão chileno Puyehue avança pelo Sul do Brasil e faz as companhias aéreas cancelarem voos.

Em Navegantes, nenhuma aeronave havia decolado até as 11h30 desta sexta.

A comerciante embarcaria com o marido e as duas irmãs às 7h40, mas o voo foi remarcado para 12h40. “Soubemos ontem à noite dessa nuvem. Não imaginava o que estava acontecendo. Mas estamos torcendo e esperamos fazer um bom passeio”, disse. Se não conseguir chegar a Campos do Jordão, ela terá que cancelar a hospedagem na cidade. Já pagou R$ 1,2 mil pelo hotel.  “Acho que eles devem reembolsar né? Porque não estamos indo porque não queremos”.

Segundo a administração do aeroporto, foram cancelados seis voos até as 10h da manhã desta sexta-feira. Por volta de 11h, um avião da Gol pousou em Navegantes. Marco Aurélio Zenni, superintendente da Infraero, informou que a aeronave saiu de São Paulo e foi até Curitiba em altitude de cruzeiro. A partir de Curitiba, voou baixo, entre sete e nove quilômetros de altitude, até Navegantes.

De acordo com Zenni, a nuvem está numa altura de dez a doze quilômetros. O voo em altitude mais baixa seria uma forma de a aeronave reduzir a possibilidade de entrar em contato com a massa de cinzas.

  Alexandre, Odinei e João pretendem voar para conferir

competição de fisioculturismo em SP

(Foto: Maria Angélica Oliveira/G1)       Amigos torcem contra a nuvem

Os amigos Alexandre Pamplona, Odinei dos Santos e João Carlos Rech, de Blumenau, torcem para a nuvem não chegar a Navegantes, mas já fazem planos alternativos para aproveitar o fim de semana se não conseguirem embarcar para São Paulo, onde pretendem assistir ao Campeonato Mundial de Fisiculturismo.

“Se não der, vamos para a praia daqui”, brinca Odinei, pensando em aproveitar o fim de semana em Balneário Camboriú, cidade próxima a Navegantes. Mesmo com o problema e sem informações confirmadas sobre o voo, ele apostava na dispersão da nuvem. “A esperança é a última que morre”. E se embarcarem, mas não conseguirem voltar no domingo? “Ficamos uma semana de férias lá”, responde, bem humorado.

Com a viagem programada há dois meses, eles só ficaram sabendo dos transtornos causados pela nuvem na noite de quinta. O personal trainer Alexandre Pamplona, acredita que o campeonato em São Paulo será prejudicado por isso. “É provável que muitos atletas da Argentina e do Chile tenham deixado para embarcar agora. Acho que vai haver desistências”, disse.         Irmãs pretendem provar vinhos e queijos em Campos

do Jordão (Foto: Maria Angélica Oliveira/G1)     Pegando a estrada

Para não perder o compromisso em Santos (SP) nesta sexta, o produtor musical Ricardo Vidal se preparava para encarar uma maratona. Na noite de quinta, ele ficou sabendo que seu voo, previsto para a manhã desta sexta, seria antecipado para a madrugada. Foi para o aeroporto e esperou até 1h30 da manhã, mas a aeronave não decolou. Acabou indo para casa e voltou de manhã a Navegantes, mas o voo estava cancelado. Tentou remarcar para 12h20, não conseguiu assento no avião, e resolveu ir de ônibus.

“A gente vai reclamar e dizem ‘ah, não avisaram o senhor?’. Não é que não me avisaram, a companhia não avisou. Se tivessem me falado, teria pego um ônibus ontem para São Paulo. É nojento o amadorismo. Estou reclamando não pelo problema climático, mas pelas condições nas quais colocam a gente. Vou para Curitiba no ônibus que estão disponibilizando rezando para o aeroporto lá não estar fechado. Imagina a Copa do Mundo? Não tem condição” protestou.

Sem carona

Já o empresário Antonio Kohler se irritou por outro motivo. “Em vez de deixar um guarda parado ali no saguão, ele podia ficar ali na frente do aeroporto, onde os carros param, avisando as pessoas que os voos estão cancelados. Assim elas não perdem a carona”, disse.

Ele explica que o aeroporto atende muitos moradores de cidades próximas como Blumenau, Brusque, Itajaí e Balneário Camboriú. “Agora mesmo estavam deixando uma senhora de idade aqui na frente e corri lá pra avisá-la”, contou. Depois de perder a carona – um funcionário da empresa onde trabalha o deixou no aeroporto – ele tentava embarcar por Curitiba e chegar a tempo em São Paulo para visitar uma feira de franquias. “Ofereceram transporte de ônibus, mas eu não quis. Estou tentando ir para outra cidade.”        

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