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Passagem de Amy pelo Brasil foi marcada por shows curtos e apáticos

Passagem de Amy pelo Brasil foi marcada por shows curtos e apáticos

Atualizado: Sábado, 23 Julho de 2011 as 4:58

A passagem de Amy Winehouse pelo Brasil, no começo deste ano, prometia marcar a volta por cima da popstar britânica, encontrada morta neste sábado em Londres.

A turnê foi sua primeira depois de meses afastada dos palcos, tentando se reerguer do abuso de drogas e álcool e dos escândalos conjugais que eram explorados pelos tabloides e ofuscavam o lado propriamente artístico da autora de hits como "Rehab" e "Back to black". O que se viu em suas apresentações em Florianópolis, Rio de Janeiro, Recife e São Paulo, no entanto, foram shows curtos, marcados por uma presença de palco tímida e pontuados por alguns momentos constragedores, quando a cantora esquecia as letras de suas próprias músicas e deixava o palco por alguns instantes sem dar satisfações.

Divididos entre a frustração e a histeria por ver a artista de perto pela primeira - e possivelmente última - vez em solo brasileiro, os fãs evitaram vaias (ao contrário do que aconteceria meses depois na Europa). No lugar, aplaudiam e incentivavam a cantora, especialmente nos momentos em que ela bebia em cima do palco. Fosse álcool ou água, pouco importava.

No primeiro show da miniturnê de Amy, realizado em 8 de janeiro em uma casa noturna de Florianópolis , a inglesa fez talvez a mais consistente das apresentações no país. Começou pontualmente, de aparência saudável em um vestido branco. Mas, ainda que a voz estivesse boa, especialmente nas depressivas “Some unholy war” e “Love is a loosing game”, era triste notar que ela precisava de uma cola para lembrar as letras (caso de “Boulevard of broken dreams”, cover da canção de Tony Bennett, em que errou a introdução). No Rio, onde ficou trancada em um hotel de luxo no bairro de Santa Teresa que serviu como base para toda sua estadia no país, Amy Winehouse não saiu às ruas. Em vez disso, foi clicada por paparazzi na piscina e na sacada do hotel, por vezes, em situações pouco abonadoras, como quando deixou os seios à mostra durante uma manhã. Também recebeu a visita do amigo Ron Wood, guitarrista do Rolling Stones.

Na cidade carioca, foram duas apresentações, nos dias 10 e 11. A primeira, curtíssima e iniciada com 35 minutos de atraso , deixou fãs esperando por mais. Usando um vestidinho justo, como uma Jane de "Tarzan", Amy cantou olhando para baixo, procurando as letras das próprias canções. No começo da quarta canção, a versão para “Boulevard of broken dreams”, de Tony Bennett, teve um acesso de riso que a impediu de cantar os primeiros versos.

O encerramento da turnê em São Paulo, em 15 de janeiro, confirmou a má fase de Amy . Diante de seu maior público na miniturnê, no estacionamento do Anhembi, a cantora mostrou-se apática, cambaleante, esquecida de que era ela a grande estrela da noite (que teve também shows de Janelle Monáe e Mayer Hawthorne.

No palco, Amy alternava momentos de puro desânimo, no qual não conseguia nem terminar os versos das canções, com rápidos ataques de euforia. Como em todas as apresentações no país, era a competente banda de apoio e os backing vocals que ajudavam a segurar o show. A voz, ainda mais embargada e irregular em São Paulo, por vezes era tão baixinha que chegava a ser engolida pelos cantores de apoio - até o “no, no, no”, de “Rehab”. Do total de 1h12 de apresentação, pelo menos meia hora foi gasta entre idas e vindas para o backstage, duas faixas cantadas na íntegra por um de seus músicos de apoio e quase 10 minutos de enrolação para apresentar a banda.

A Amy que passou pelo país pouco lembrava a cantora de vozeirão vigoroso que o mundo conheceu - em CD e videoclipes, pelo menos - alguns anos atrás.

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