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Pastor Ronaldo Didini volta ao Brasil

Pastor Ronaldo Didini volta ao Brasil

Atualizado: Quinta-feira, 14 Agosto de 2008 as 12

Por Claudia Moraes

"Deus escolhe as coisas loucas do mundo... e as que nada são..." - I Cor 1:27-28. É assim que o pastor, jornalista, radialista, escritor e apresentador Ronaldo Didini se define. Prestes a completar 51 anos, casado e com duas filhas jovens, Didini ficou conhecido em todo Brasil por apresentar o programa de televisão 25ª Hora, na década de 90, na Rede Record, quando era pastor da Igreja Universal do Reino de Deus.

Ronaldo Didini também já foi Segundo Tenente do Exército, antes de sua conversão. Nesta época, tomava uma garrafa de uísque a cada dia e meio, era viciado em drogas e injetava Fenergan e Haldol na veia.

O pastor passou por três das principais denominações evangélicas brasileiras: Universal do Reino de Deus, Assembléia de Deus e Internacional da Graça e afirma que todas as cicatrizes do passado já foram curadas. "Eu só preservo a nudez das igrejas e dos servos de Deus, falo até onde a crítica pode ser crítica, quando mostra a nudez, eu acho errado", enfatiza.

Atualmente, Didini colocou o seu ministério próprio "Caminhar " (com duas igrejas em Portugal) em aliança com a Igreja Mundial do Poder de Deus , dirigida pelo apóstolo Valdemiro Santiago. Conta que a amizade com Santiago é antiga (ambos eram pastores da Universal) e afirma que a Igreja Mundial, hoje, é a única com o verdadeiro avivamento bíblico, com curas, sinais e maravilhas.

Recém-chegado ao Brasil, Ronaldo Didini foi contratado pela Band, como gestor do Canal 21. Vinte e duas horas da programação da emissora são da Igreja Mundial do Poder de Deus, que está preparando uma nova versão do 25ª Hora e uma programação voltada à família. O pastor também pretende encabeçar um forte movimento social no País, relacionado ao combate à pobreza.

Guia-me - Há quanto tempo é convertido? Quando foi ordenado pastor?

Pastor Ronaldo Didini - 25 anos de conversão, 24 anos como pastor.

Guia-me - Desde esta época, qual a lição mais importante que aprendeu?

Pastor Ronaldo Didini - Aprendi uma coisa chamada dependência de Deus. Creio que este é um dos aspectos mais difíceis para o ser humano, porque quando a gente precisa de alguma coisa é natural que a gente lembre de Deus. Mas quando estamos bem... Tenho um sonho que está se realizando, que é esta televisão para pregar o evangelho. Hoje, tenho paz, saúde, amigos verdadeiros comigo. O momento agora que é importante lembrar de Deus, colocar o meu rosto no chão e falar: "Deus como o Senhor é maravilhoso". A maior lição é aprender a depender de Deus.

Guia-me - Por quais igrejas o senhor passou?

Pastor Ronaldo Didini - Universal, Assembléia de Deus (evangelista), Internacional da Graça (missionário no exterior). O nome da Igreja era internacional, mas não tinha no exterior, daí eu disse: "eu levo". Desbravei Portugal, Holanda, Inglaterra e França, abri um templo em Angola também. Fiquei sete meses no Brasil para montar o DTH (é a abreviatura do termo inglês Direct to home, ou seja, direto para casa. Uma modalidade de transmissão, por meio de um satélite) da Nossa TV (TV por assinatura da Igreja Internacional da Graça).

Guia-me - Quanto tempo o senhor ficou em Portugal?

Pastor Ronaldo Didini - Ao todo foram 11 anos, entre entrar e sair. Portugal ficava como uma espécie de base.

Guia-me - Desde quando está em definitivo no Brasil?

Pastor Ronaldo Didini - Por volta de 40 dias.

Guia-me - O senhor se surpreendeu com alguma coisa ao voltar para o Brasil?

Pastor Ronaldo Didini - Eu creio que agora o Brasil tem que passar por uma peneira, em termos doutrinários. Um dos maiores cânceres da Igreja, que nós temos hoje, é a teologia da prosperidade, eu sou realmente radical em relação a isso. Salomão ficou doente por causa disso. Na teologia da prosperidade, a gente ora e Deus dá.

O problema da teoria da prosperidade é que chega um ponto que não se crê mais no Deus que deu e sim nas coisas. Então, o que Deus dá se torna mais importante do que o Deus que dá. A pessoa tem 100, ela quer 150, ela não pára mais. Eu creio que o problema do Brasil está aí, e aí que eu venho estudando.

Deus levantou a Igreja Mundial para ser um equilíbrio nesta teologia da prosperidade, que está muito extremada, e a santidade. Estou vendo o ministério da Igreja Mundial como um equilíbrio entre esta santidade, que tem que ter, e a teologia da prosperidade. O Espírito Santo atua muito em sinais e maravilhas.

O apóstolo Valdemiro [Santiago] tem o dom da sabedoria, ele era um andarilho, personificação do salmo 113, "Deus levanta do pó o desvalido...". Ele tem o dom de operação de sinais e maravilhas, isso Deus o deu. E tem o dom da prosperidade. Valdemiro está com estes três dons e tem uma visão maravilhosa. Equilíbrio entre a santidade e a teologia da prosperidade, traz a santidade e abaixa um pouco esta troca: eu vou dar isso e Deus tem que me dar aquilo.

Guia-me - Quais são as suas características que destacaria?

Pastor Ronaldo Didini - Uma coisa que é notória, que Deus sempre me deu, este dom da prosperidade, eu sempre tive. Graças a Deus, tudo o que eu coloco a mão cresce, é impressionante isso.

Guia-me - Como coloca isso, o senhor tem o dom da prosperidade, mas é contra a teologia da prosperidade?

Pastor Ronaldo Didini - O dom é de Deus, se vermos em I Coríntios 12, o dom não é da pessoa. A teologia da prosperidade confunde as coisas. Nosso relacionamento com Deus não pode estar restrito aos bens terrenos, aos bens materiais. Nosso relacionamento com Deus tem que estar além disso. Na teologia da prosperidade acaba a pregação toda, a direção daquele ministério, em conquistas de bens materiais e Deus está além disso. Não estou dizendo que é culpa do pregador, que ele faz isso por mal. O dom da prosperidade Deus dá e a partir do momento que você entrar na teologia da prosperidade, Deus tira este dom.

A teologia da prosperidade começa assim: vamos fazer um sacrifício, então, você começa entrar muito no judaísmo, no velho testamento, daí você começa a ter práticas do judaísmo. Tem os desafios, uma vez por ano faz um sacrifício, mas nunca é suficiente, daí tem que fazer de seis e seis meses... Deus chegou a dizer, por intermédio dos profetas antigos, que não queria mais sacrifício. Porque você dá um hoje, no outro dia você vai ter que dar dois, no outro três, nunca é suficiente o sacrifício. Por isso que Jesus foi o único sacrifício. Nós, povo de Deus, vivemos da graça, graça é um favor não merecido. Eu deixar de pagar o aluguel da minha casa para dar oferta, isso está errado. Fazer prova de Deus é que eu vou provar de Deus, ele vai me abençoar; não colocar Ele na parede. [Em referência a Malaquias 3:10]. Se Deus falou para o povo de Israel: "Pára de sacrifício", não vai falar para igreja dEle? A gente não vai atacar pessoas, instituições, o problema é doutrinário. A nossa crítica tem que ser doutrinária.

Guia-me - Quando o senhor sente que é a hora de sair de um ministério?

Pastor Ronaldo Didini - Quando você sente que o Espírito Santo está se entristecendo com algumas coisas. Quando você vai pregar e a sua oração não é mais a mesma, a palavra já não vem com tanta facilidade. Quando você começa ver que há certos perigos que rondam. Claro, você usa as armas de todo crente, a gente ora, jejua, procura se consagrar. Lá em Portugal, eu entrava na Igreja às 7 horas, trancava e ficava 12 horas no altar com a igreja trancada... orando. Só saía às 19 horas, tão grande era a carga.

Você ora, jejua, mas, com o passar do tempo, vê que isso continua. Daí tem que tomar uma decisão.

Guia-me - O senhor já se frustrou com algum trabalho?

Pastor Ronaldo Didini - Já, o trabalho na Europa estava crescendo, eu era o único pastor que tinha um programa em TV a cabo em Lisboa . E a direção da igreja em que eu estava pediu para eu vir para o Brasil, isso para mim já foi um retrocesso. Passei sete meses aqui e causou tristeza.

Eu vi que seria apenas um executivo. Meu chamado é para mídia e obra social, dar cestas básicas; na madrugada, atender os mendigos na rua. Lá, o meu ministério estaria perfeito na área executiva, mas não seria um ministério pleno, para aquilo que Deus me chamou. Daí, eu preferi voltar para Europa. Lá, abri o ministério Caminhar, com duas igrejas em Portugal, e viajava pela Europa.  

Hoje, me considero um pastor da Igreja Mundial. Faço uma hora de oração todas as sextas-feiras na Igreja Mundial, das 8 às 9 horas da manhã. [Igreja Mundial do Poder de Deus - Rua Carneiro Leão, 439 - Brás - São Paulo].

Guia-me - Como pastor, quais as conquistas de seu ministério que destacaria?

Pastor Ronaldo Didini - Destacaria três: termos criado o maior movimento do Brasil que foi a ABC (Associação Beneficente Cristã, entidade de finalidade assistencial que desenvolvia trabalhos sociais da Igreja Universal do Reino de Deus), ter sido o presidente, o idealizador. O segundo foi o Programa 25ª Hora, aquele programa marcou e vamos reeditá-lo agora. Reeditar aqueles momentos bonitos que a gente viveu. A terceira é ver Deus, através do Valdemiro, realizar sonhos que Ele deu, de ter a TV com pregações (em relação ao Canal 21).

Guia-me - Como surgiu esta ligação com a TV?

Pastor Ronaldo Didini - O Bispo Macedo, em 1990, me chamou para ser assessor dele, então, eu trabalhei três anos diretamente com ele. Aí fui aprendendo, a gente não sabia nada.

Guia-me - Em sua opinião, qual a importância da pregação do evangelho na TV?

Pastor Ronaldo Didini - Sem dúvida, se Jesus tivesse os meios que nós temos hoje, ele usaria todos estes meios. A Igreja tem que usar isso. Eu te digo mais, daqui uns anos a televisão vai deixar de ser importante, o que será importante é a Internet.

Guia-me - Como aconteceu esta volta para este novo projeto?

Pastor Ronaldo Didini - Voltei porque a minha amizade com o apóstolo Valdemiro é algo muito sério. E quando eu comecei a estudar a questão do avivamento bíblico, constatei que realmente este ministério é o único avivamento bíblico que existe no mundo. Eu fiz quatro viagens para conversar com o apóstolo aqui. Na última, falamos: "vamos nos unir". Porque a questão da liderança espiritual já tinha entrado no contexto. Vim numa perspectiva de arrebentar, como diz o jargão.

Guia-me - O senhor é gestor do Canal 21, contratado da Band?

Pastor Ronaldo Didini - Sou contratado da Band como jornalista e gestor do Canal 21.

Guia-me - Como funcionará a programação? O senhor como pastor defende uma programação 100% evangélica ou comercialmente isso não é viável?

Pastor Ronaldo Didini - A preocupação tem que ser ganhar almas e, a partir daí, fazer uma programação que atenda a família. O objetivo é ganhar almas. É um absurdo pagar R$ 500 mil para um artista e um mil para o pastor.

Programação com os cultos dos pastores, entra agora um jornal ao meio-dia , vou ter um programa à noite. Sempre com o objetivo que falei no começo: almas e alguma coisa direcionada à família. O apóstolo quer fazer um programa "Pescando com o Apóstolo", quer pregar no meio de um rio, pescando.

Nunca devemos perder o foco que é ganhar almas [para Jesus]. O meu programa do meio-dia vai ser específico, um pastor apresentando e discutindo com autoridades. Isso vai ser muito bom para o segmento evangélico. Estarei no meio das autoridades discutindo todos os assuntos como pastor, dá uma mais-valia para o nosso povo.

Guia-me - O senhor pretende retomar um programa como o 25ª Hora? Como será?

Pastor Ronaldo Didini - Vou chamar o Paulo [de Andrade, diretor do programa] para falar.

Paulo de Andrade - Hoje, facilitou bastante fazer um programa deste tipo. O Didini é um homem maduro em termos de mídia, é uma pessoa que está pronta. E também pela evolução tecnológica. Antigamente, no 25ª Hora, nós usávamos telefone como meio de interatividade com o telespectador. Hoje, eles vão acessar o notebook, fazer suas perguntas; o que é fundamental neste tipo de programa. E a televisão, em sua maioria, não traz esta prestação de serviço. Quando uma pessoa lá do Jardim Ângela, por exemplo, teria acesso para fazer uma pergunta ao Adib Jatene? Jamais. Então, a nossa responsabilidade é uma prestação de serviço séria, segura. A interatividade será por e-mail, muito mais rápida, vamos poder atender mais pessoas. Quando você liga a televisão e vê uma pessoa séria dando uma informação, você pára. Esse é o foco principal, ter pessoas que vão levar informações seguras. O programa abordará temas diversos, muito factual, o que está acontecendo hoje.

Guia-me - Já tem nome?

Pastor Ronaldo Didini - Vou te dar com exclusividade... O nome é este aqui: "Hora, Brasil". Este "hora" vai ter várias interpretações... [em referência a "hora", de horário, "ora" de oração, "ora!", como modo de expressão, e ao antigo programa 25ª Hora]. A idéia foi do Paulo de Andrade.

Guia-me - E está previsto para estrear quando?

Pastor Ronaldo Didini - Dia 8 de setembro. Vou ter o jornal do meio-dia, onde vou debater temas de interesse da sociedade. E vou ter o meu programa à noite. No meu programa, a mensagem final vai ser sempre para exaltar o Senhor. Vamos discutir sob a ótica cristã.

Guia-me - O senhor se envolve no processo de criação e produção?

Pastor Ronaldo Didini - Eu tenho uma afinidade tão grande com o Paulo, que isso vai ocorrendo naturalmente durante o dia. "Se ele não liga para falar, eu ligo para perguntar", conta o diretor. "Temos uma sintonia", afirmam.

Guia-me - Quais são suas expectativas?

Pastor Ronaldo Didini - O Canal 21 é apenas o primeiro [projeto], se preparem para os próximos...

Guia-me - Qual livro ou passagem Bíblica destacaria e por quê?

Pastor Ronaldo Didini - Destacaria o Salmo 113: "Deus levanta do pó o desvalido e do monturo o necessitado, para o assentar ao lado dos príncipes" e I Coríntios 1:27-28: "Deus escolhe as coisas loucas do mundo... e as que nada são...". Eu sou uma personificação desta palavra. Deus me tirou de um hospital psiquiátrico, estava louco em uma cama. Era Segundo Tenente e estava morrendo no hospital.

Confira abaixo, algumas imagens que fazem parte da história do pastor Ronaldo Didini:

Fotos: Marcos Corrêa

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