Paulistano reprova transporte público, diz Ibope

Paulistano reprova transporte público, diz Ibope

Atualizado: Quinta-feira, 20 Janeiro de 2011 as 2:17

A tarifa de transporte público é o aspecto que mais incomoda o paulistano quando o assunto é mobilidade urbana na cidade de São Paulo – que inclui, além dos meios de transporte, o trânsito – segundo a pesquisa Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município (Irbem), divulgada nesta quinta-feira (20) pela Rede Nossa São Paulo. O item recebeu nota 3,6 – em uma escala de 0 a 10. Em 2009, a nota dada pelo paulistano para a tarifa de transporte público foi de 3,8.

O levantamento foi feito entre 29 de novembro e 12 de dezembro de 2010, antes do anúncio e do aumento da tarifa dos ônibus municipais para R$ 3, efetivada em 5 de janeiro de 2011.

No total, 1.512 moradores da cidade foram ouvidos pelo Ibope e deram suas opiniões sobre 169 itens em 25 temas. Ainda na mobilidade urbana, o respeito ao pedestre também recebeu nota 3,6. Outros aspectos mal avaliados foram a quantidade de ciclovias na cidade e a segurança no trânsito (3,7) e a qualidade das calçadas (3,9). A nota mais alta no tema foi para o tamanho da rede de Metrô, com 6,2.

“Uma das questões que impactam na qualidade de vida é a questão da mobilidade, a prioridade nos investimentos públicos está sendo no transporte individual, só nas marginais, que é transporte individual, foram mais de R$ 2 bilhões, e a Prefeitura falava na aplicação de R$ 1 bilhão no Metrô. Quando a prioridade teria que ser no transporte público, é fato preocupante”, disse Oded Grajew, coordenador da Rede Nossa São Paulo.

Educação e Saúde

Outro setor da cidade com notas baixas foi a educação – acesso a ensino superior de qualidade e respeito e valorização dos professores recebeu nota 4,8. No setor da saúde, a pior avaliação é a do tempo médio entre a marcação e realização de consultas, com nota 3,4. Já as campanhas de vacinação receberam nota 7. Em relação ao meio ambiente, a qualidade do ar recebeu nota 4, enquanto a despoluição de rios, lagos e represas teve nota 3,9.

A satisfação geral com a qualidade de vida pouco variou – a nota passou de 4,8, em 2009, para 5, em 2010. A maior parte dos moradores acredita que a qualidade de vida se manteve estável no último ano – 44%. Outros 34% acreditam que ela melhorou um pouco e 13% que melhorou muito. Nos aspectos negativos, 6% apontaram que a qualidade de vida piorou um pouco e 3% que piorou muito.

Confiança nas instituições

A pesquisa também avaliou a confiança dos paulistanos nas principais instituições da cidade. Para os entrevistados, os bombeiros e os Correios são as mais confiáveis, com 94% e 92%, respectivamente.

Os órgãos com menor índice de confiança tiveram um aumento em sua credibilidade. O índice da Prefeitura de São Paulo passou de 38% em 2009 para 47% em 2010. No caso do Tribunal de Contas do Município, a confiança saiu de 32% para 40%. Já a Câmara Municipal teve um aumento da credibilidade de 24% para 36%.

Outra pergunta feita pela pesquisa foi qual instituição que mais está contribuindo para melhorar a qualidade de vida. O Governo Federal foi o mais citado, por 21% dos entrevistados, segundo pela igreja (12%), Prefeitura de São Paulo (10%), meios de comunicação (9%) e Governo Estadual (6%).

“O que melhorou no Brasil ultimamente foi muito a questão econômica, emprego, isso faz com que as pessoas se sintam com melhor qualidade de vida, tem os programas do governo federal. É um dado negativo, porque o impacto tinha que ser melhor do Estado e mais ainda da Prefeitura”, afirmou Grajew.

Dados antecipados

A rede antecipou na última sexta-feira (14) dois dados da pesquisa. O índice de pessoas que deixaria São Paulo para morar em outra cidade, que caiu de 57% em 2009 para 51% em 2010. E também os aspectos que mais influenciam o medo dos moradores da cidade. Os mais cidtados foram violência em geral, tráfico de drogas, alagamentos e trânsito.

A pesquisa foi lançada para comemorar o aniversário de 457 anos de São Paulo, na próxima terça-feira (25).    

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