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Paulistanos trocam carro por bicicleta e economizam tempo e dinheiro

Paulistanos trocam carro por bicicleta e economizam tempo e dinheiro

Atualizado: Segunda-feira, 9 Maio de 2011 as 2:03

Alguns paulistanos encontraram na bicicleta uma opção para se locomover na cidade. Algumas ONGs que incentivam o uso de bikes estimam que 250 mil pessoas utilizem esse meio de transporte na capital. Ricardo Santos e Wagner Carvalho estão em busca de mais espaço e respeito aos ciclistas que usam as bikes como meio de transporte. Eles fazem parte de outro nível de pessoas: aquelas que se livraram do carro completamente.

“O trânsito é realmente caótico em São Paulo, mas as pessoas vão se acostumando e quanto mais pessoas andarem de bike mais os motoristas sentem a presença dos ciclistas e vão se acostumando. Vão sabendo que existem ciclistas e ao poucos respeitando mais”, acredita Wagner.

Ricardo é publicitário e vai e volta do trabalho todos os dias de bicicleta. “O mesmo caminho que hoje faço de bicicleta era o que eu fazia de carro. No percurso existem algumas casas que eu nunca tinha visto quando eu andava no meu veículo. Agora, de uma maneira ou de outra, faço um exerciciozinho. O que me deixa um pouco mais em forma”, conta ele.

  O trajeto de 3 km é feito em 15 minutos. Antes, quando ia de carro, demorava quase uma hora. A mudança também mexeu com o bolso do publicitário. “Com carro, IPVA, seguro, garagem do prédio alugada, estacionamento no escritório, manutenção, gasolina, fora o dinheiro do carro que eu poderia deixar aplicado rendendo. [A economia] Está mais ou menos R$ 500 a R$ 600 reais por mês.”

Wagner é dono de um café e usa a bicicleta o dia todo. “Graças a Deus meu carro quebrou. Eu tive que achar uma alternativa e a alternativa foi muito boa: comecei a usar a bike. Faço mais compras, mas agora em menor quantidade para eu poder levar de bike e é fantástico”, diz.

As pessoas estranham os ciclistas quando transitam na rua. “Hoje em dia, a cultura no Brasil é que quem anda de bicicleta ou é pobre ou é excêntrico. Então, é procurando ser diferente, mas acho que as pessoas estão se conscientizando mais, o trânsito está muito ruim", diz Wagner.

Ciclofaixas e ciclovias

As ciclofaixas de lazer começaram a funcionar na capital paulista há cerca de dois anos. É uma forma de incentivar a boa convivência entre ciclistas e motoristas. “A gente não escuta aquela buzinada que antigamente escutava quando não existia toda essa infraestrutura”, explica o economista Rafael Iglesias.

São 30 km que ligam o Parque das Bicicletas, Parque do Povo, o Ibirapuera e o Villa-Lobos. Elas têm sinalização própria, que deve ser obedecida por todos, mas como são para lazer e diversão, só funcionam aos domingos, das 7h às 14 horas.

As ciclovias são raridade na metrópole. São apenas 37 km que funcionam todos os dias, segundo a prefeitura. O problema é que construir uma ciclovia pode demorar muito tempo. Vai da análise do trajeto, passa pela burocracia das licitações e em seguida vem a construção.

A mais nova ciclovia da cidade, inaugurada há um ano, às margens do Rio Pinheiros, custou cerca de R$ 10 milhões. “Construção de ciclovia e pistas de corrida por toda a Marginal Pinheiros e Tietê, pra mim é o sonho”, conta a professora de educação física Luciene Azevedo.

A Prefeitura diz que existem projetos para mais três ciclovias: no Jardim Helena, na Zona Leste, Jardim Brasil, na Zona Norte, e outra que ligará o Grajaú a Cocaia, na Zona Sul. Ainda não há prazo para o começo das obras.

Metrô e CPTM

Em algumas estações do Metrô também é possível alugar uma bicicleta para se locomover. O serviço já existe há quatro anos e funciona na Vila Mariana, Liberdade, Armênia e Santana (Linha Azul); Paraíso e Vila Madalena (Linha Verde); Palmeiras/Barra Funda, Marechal Deodoro, Santa Cecília, Anhangabaú, Sé, Brás, Carrão, Guilhermina/Esperança e Corinthians/Itaquera (Linha Vermelha).

A CPTM não tem esse tipo de serviço, mas quem tem bicicleta pode deixá-la estacionada e depois pegar o trem. São 6 mil vagas espalhadas em varias estações.

Leis de trânsito

No Código Brasileiro de Trânsito está escrito que bicicleta é um veículo de propulsão humana. Contudo, como é um veículo, tem que obedecer todas as regras de trânsito. A circulação é permitida na pista, no asfalto, desde que na via não exista ciclovia ou ciclofaixa.        

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