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'Peguei no dedo dela, mas escapou', diz neto de mulher morta em enchente

'Peguei no dedo dela, mas escapou', diz neto de mulher morta em enchente

Atualizado: Quarta-feira, 19 Janeiro de 2011 as 1:34

A tragédia na casa da família Avelaneda Grande, em Mauá, no ABC, onde uma mulher de 64 anos morreu afogada durante o temporal desta terça-feira (18), só não foi maior por causa da coragem do estudante Gabriel Júnior Avelaneda Grande, de 12 anos. Ele estava dentro da casa no Jardim Zaíra com os avós e o irmão de 4 anos quando a água invadiu o imóvel, e conseguiu salvar o irmão depois que sua avó Antônia perdeu as forças em meio à enchente.     “Quando comecou a chover demais, ela segurou meu irmão. Eu subi em uma cadeira. Depois ela jogou ele nos meus braços e fiquei segurando ele. Aí quebrou uma parede, e vi um armário boiando. Coloquei meu irmão no armário, fiquei segurando com uma mão e com a outra tentei pegar minha avó. Eu peguei no dedo dela, mas escapou. Depois afundou”, relatou o menino na manhã desta quarta-feira (19), enquanto ajudava a família a tentar limpar o cenário de destruição deixado na casa.

O avô de Gabriel também estava em casa e chegou a ficar preso em meio aos móveis, mas foi resgatado e passa bem. O menino e seu irmão escaparam apenas com arranhões. Na casa, viviam oito pessoas. Por sorte, a maior parte dos moradores não estava no local.   Após ver Antônia se afogar, vizinhos conseguiram entrar na casa e retiraram o irmão de Gabriel. O menino conseguiu ir para a casa da vizinha – a parede entre os dois imóveis desabou e ela escapou. No caminho, viu o avô preso com um colchão – os vizinhos também o retiraram. “Acabou meu computador, minhas roupas, só sobrou minha TV que estava no alto. Mas na hora eu só pensava em salvar meu irmão. Minha avó eu não consegui”, disse Gabriel.

Coragem

Bastante abalada com a fatalidade, a mãe do menino, a vendedora Rosa Augusta Avelaneda Grande, de 41 anos, destacou a coragem do filho. “O desastre só não foi maior porque ele conseguiu salvar o irmão. Minha mãe morreu tentando salvar os dois”, afirmou ela nesta manhã. A vendedora não estava na casa, mas foi correndo quando viu a chuva forte. “A gente já sabia que ia acontecer alguma coisa, mas não achamos que ia ser essa catástrofe toda.”

Segundo a família, a aposentada vivia na casa há 40 anos e nunca havia enfrentado uma enchente semelhante. A casa tinha comportas, que não serviram para nada durante a enchente. Até as 10h desta quarta, a família não sabia quando seria realizado o enterro, já que o corpo ainda não havia sido liberado pelo Instituto Médico-Legal (IML).

Nas proximidades da casa atingida, o cenário também era de destruição. Quase em frente ao imóvel, um carro arrastado pela correnteza ainda estava dentro do córrego. Dezenas de pessoas curiosas com o ocorrido se acumulam em volta das casas. Nas ruas, há muita lama e móveis destruídos pela chuva.

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