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Ópera Seca estreia sem a direção de Gerald Thomas

Ópera Seca estreia sem a direção de Gerald Thomas

Atualizado: Segunda-feira, 22 Março de 2010 as 12

A grande expectativa de se assistir a "Travesties" é de como a Cia. de Ópera Seca se comportaria sem a batuta de seu fundador, Gerald Thomas, que, depois de 25 anos, cedeu a direção do grupo a Caetano Vilela. A peça estreou durante o Festival de Teatro de Curitiba e ainda não tem data para entrar em temporada.

Assim que começa o espetáculo, percebemos que continua tudo igual - estão lá a fumaça de gelo seco, cortinas dividindo o palco e movimentos robotizados dos atores. Mais que isso: é como se o grupo tivesse voltado ao começo dos anos 90, quando as comédias de Thomas eram indecifráveis, e o público saia do teatro sem saber se a peça havia terminado.

Mas o revival dura pouco - logo os diálogos começam a se desenrolar e os movimentos dos atores se tornam mais fluídos. É algo novo, mais natural, que ainda não permite dizer se é o estilo de Vilela se impondo ou se é algum recurso de dramaturgia exigido pelo texto.

Segundo o próprio diretor, é estilo, uma marca que ainda deve demorar uns quatro espetáculos para ser identificada, herança de seus oito anos dedicados à ópera "molhada" no Teatro de Manaus. A introdução "seca" funciona como transição, criada com a intenção de ser cópia do tempo em que Vilela fez parte da companhia, entre 2000 e 2002.

A partir daí, o texto de Tom Stoppard segue ritmo próprio, numa farsa que reúne James Joyce, Oscar Wilde, Lênin e Tristan Tzara em dadaísmo puro, histórias cruzadas em nonsense que acabam confundindo o público.

Para "tentar explicar" o que está acontecendo, a atriz Fabiana Gugli surge num intervalo que é um show de humor e que acaba confundindo ainda mais a audiência. Nesse ponto, muita gente sai do teatro sem saber se a peça acabou, como nos velhos tempos da Cia. de Ópera Seca.

Por: Roberto Moreno

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