Perfil de Dilma é cada vez mais político do que técnico, diz ministro

Perfil de Dilma é cada vez mais político do que técnico, diz ministro

Atualizado: Sexta-feira, 8 Julho de 2011 as 10:49

Eleita com uma modesta trajetória política e uma extensa passagem por cargos técnicos, a presidente Dilma Rousseff está entrando em sintonia com o Congresso e os partidos após seis meses de governo. É essa avaliação de um dos principais assessores da mandatária, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, em entrevista ao UOL Notícias.

Nos primeiros meses de gestão de Dilma, governistas de vários partidos criticaram a concentração de cargos no PT, a disputa para emplacarem emendas parlamentares –que terminou com uma extensão de prazos para acalmá-los– e a mudança na coordenação da área política do governo, após a saída de Antonio Palocci da Casa Civil.

“A presidente tem um perfil mais técnico, mas não sei quanto tempo isso vai perdurar. As demandas sobre um presidente não são exatamente técnicas, são sempre opções políticas. Claramente ela tem se dedicado a resolver essas equações políticas. A tendência é cada vez mais ela se debruçar sobre isso”, afirmou Bernardo.

Na quarta-feira (6), Alfredo Nascimento deixou o Ministério dos Transportes após uma série de denúncias e a presidente indicou ao PR, sigla que ocupa a pasta, a manutenção de um representante da legenda nessa tarefa. Nos bastidores, deputados e senadores do partido, alguns deles críticos a Dilma, comemoraram a decisão como um voto de confiança.

Gleisi e Palocci

Sobre diferenças entre a técnica Dilma e o palanqueiro antecessor e mentor, Luiz Inácio Lula da Silva, Bernardo disse que apenas o estilo é diferente. “Foi uma mudança importante, mas não foi capaz de mudar os projetos”, afirmou, para depois se referir à sua mulher, a atual ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffman: “A Gleisi é muito diferente do Palocci, como a Dilma é diferente do Lula. Teve que ser feito um rearranjo. Não estava previsto.”

Bernardo afirmou que Palocci deixou o cargo, entre outros motivos, porque demorou a falar sobre a multiplicação do seu patrimônio, graças a uma empresa de consultoria que manteve no período em que foi deputado federal, entre 2007 e 2010. “É difícil avaliar, mas com certeza foi um dos pontos que pesaram”, afirmou.

O ministro disse que Gleisi e Dilma se conheceram em 2002, na equipe de transição entre os governos Fernando Henrique Cardoso e Lula. “A Dilma estava responsável pela área de energia, e a Gleisi cuidava de orçamento. Elas acabaram se entrosando porque a Gleisi mostrou para ela problemas que havia no orçamento da Petrobras. Anunciamos que faríamos as plataformas no Brasil e o orçamento que ia ser votado no Congresso previa construção das plataformas no exterior”, contou. A mudança veio em tempo.          

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