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Pesquisadores criam sistema que alerta sobre risco de enchentes

Pesquisadores criam sistema que alerta sobre risco de enchentes

Atualizado: Sexta-feira, 6 Agosto de 2010 as 9:49

Professores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram uma rede de sensores sem fio que registra os índices de poluição da água e consegue prever a ocorrência de enchentes. O sistema é formado por um computador principal e três sensores analógicos, que monitoram pressão, condutividade da água e os riscos para a segurança dos próprios aparelhos, emitindo alertas a cada cinco minutos.

O computador principal que recebe as medições da rede tem tamanho aproximado de uma caixa de fósforos, possui várias entradas para os sensores e funciona com baterias recarregadas por meio de painéis solares. Como o sistema recebe muitas informações, é necessário que a transmissão dos dados seja feita pela internet. Assim, a memória do aparelho não fica sobrecarregada.

São três os sensores do sistema. O primeiro a ser desenvolvido foi o sensor de pressão. Ele analisa o volume de água e é o responsável direto pela medição das enchentes - ao medir o aumento do volume, ele mensura também a pressão da enxurrada, o que permite um registro preciso. O outro dos sensores é o de condutividade, que avalia a capacidade de condução de eletricidade da amostra. Como a água pura é má condutora de eletricidade, o sensor atesta o nível de poluição da água. O terceiro sensor, chamado acelerômetro, é o único que fica próximo ao computador e fora da água. Sua função é gerar um alarme no sistema a cada cinco minutos para indicar alguma alteração nos equipamentos.

A nova tecnologia baseia-se na rede desenvolvida, sob a coordenação do professor Daniel Hugues, pelas universidades de Liverpool, na Inglaterra, e a chinesa Xi’na Jiaotong. Entretanto, o sistema inglês é direcionado exclusivamente para a previsão de enchentes em áreas rurais. O brasileiro, por sua vez, tem potencial para revelar até o grau de radiação da água e dá prioridade às localidades urbanas. Além disso, há diferenças nos equipamentos. “O sistema que desenvolvemos é mais fácil de programar, tem um software mais leve e flexível”, diz Jo Ueyama, coordenador do estudo.

Chegada ao mercado

A rede já foi testada em laboratórios e rios de São Carlos (SP) e se mostrou eficaz. No entanto, o projeto não está concluído, já que serão aprimoradas outras funções. “Nosso sistema não está fechado. Queremos monitorar, entre outras coisas, a radiação”, diz Ueyama.

Além disso, como o software apenas coleta as informações dos sensores, os pesquisadores querem desenvolver outro que também as processe. “As medições precisam ser relacionadas entre si para que seja revelado o perigo de enchente”, afirma Marcos Lordello Chaim, pesquisador e integrante do projeto. “É preciso considerar as variáveis do relevo, entre outros aspectos. Se desenvolvermos um software que analise essas informações, será algo mais rápido e preciso”.

As possibilidades de o sistema chegar ao mercado são grandes. O Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações e Tecnologia da Informação (CPqD), de Campinas, está interessado em comercializar o produto. Segundo os pesquisadores, antes das chuvas de verão, período com maior frequência de enchentes, isso deve se concretizar.

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