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PF vai abrir inquérito para investigar Romeu Tuma Jr.

PF vai abrir inquérito para investigar Romeu Tuma Jr.

Atualizado: Quinta-feira, 20 Maio de 2010 as 11:06

A Polícia Federal em São Paulo vai abrir inquérito para investigar o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, pela suspeita de envolvimento com o chinês Li Kwok Kwen, o Paulo Li, acusado de contrabando.

A abertura do inquérito foi autorizada pela 3ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Tuma Jr. já está sendo investigado pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República e pela CGU (Controladoria-Geral da União).

Na semana passada, o secretário se afastou do cargo sob a alegação de que está saindo de férias para preparar sua defesa no caso.

Investigação da PF mostra que há suspeitas de que o secretário ajudou Paulo Li a regularizar a situação de imigrantes ilegais e interveio para liberar mercadoria apreendida. Nas gravações, Tuma Jr. trata da compra de um celular e de videogame. Li foi assessor de Tuma Jr. quando ele era deputado estadual.

Em entrevista à Folha, Tuma Jr. disse que a investigação da PF cometeu abusos. ''Não da PF, mas de pessoas da PF. Fui investigado e chegou-se à conclusão que eu não deveria ser denunciado. O caso foi arquivado'', afirmou. Ele disse que o caso foi encerrado no ano passado e voltou à tona por causa de seus ataques ao crime organizado.

A reportagem não conseguiu localizar Tuma Jr. para comentar o inquérito da Polícia Federal.

Paulo Li

A prisão do chinês e de mais 15 pessoas ocorreu em setembro de 2009, após a PF deflagrar as operações Wei Jin (em chinês, trazer mercadoria proibida) e Linha Cruzada. Juntas, as duas operações tinham o objetivo de combater o contrabando de mercadorias e o vazamento de informações sigilosas, desarticulando uma quadrilha especializada no contrabando de celulares falsificados chineses.

De acordo com a PF, além de Paulo Li, a organização era integrada por despachantes aduaneiros, lojistas, gráficos, um ex-oficial do Exército Brasileiro e até mesmo um ex-membro do Serviço Secreto do Chile. Na época, a PF acusou 'um conhecido mestre de Kunf Fu' de ser um importante membro do grupo, responsável por movimentar mais de R$ 1 milhão mensais revendendo os aparelhos que recebia da China.

Além de ter sido instrutor de Kunf Fu de Tuma Júnior, Paulo Li deu aulas na superintendência paulista da PF quando o pai do secretário, o atual senador Romeu Tuma (PTB-SP), era superintendente do órgão.

Na semana passada, o jornal 'O Estado de S. Paulo' publicou uma matéria apontando a ligação de Tuma Júnior com Li. Em uma conversa telefônica gravada pela PF, ele pergunta ao chinês se um jogo eletrônico contrabandeado estaria à venda na avenida Paulista, em São Paulo.

Ainda segundo o jornal, a PF também teria encontrado indícios de que Tuma Júnior auxiliou Paulo Li a regularizar a situação de chineses que viviam clandestinamente em São Paulo. À Agência Brasil, contudo, a assessoria da PF se limitou a informar que o secretário não foi investigado e que suas conversas com Paulo Li só foram gravadas porque os telefonemas do chinês estavam sendo monitorados com autorização judicial.

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