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PGR critica entrega em "conta-gotas" de vídeos sobre mensalão do DEM

PGR critica entrega em "conta-gotas" de vídeos sobre mensalão do DEM

Atualizado: Quinta-feira, 17 Março de 2011 as 8:08

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou nesta quarta-feira (16) que o Ministério Público não servirá de instrumento para atender a “interesse escusos” nas investigações do suposto esquema de corrupção, conhecido como mensalão do DEM. Ele comentou a prática do delator do esquema, Durval Barbosa, de entregar de forma fracionada ao Ministério Público vídeos em que autoridades e empresários aparecem supostamente recebendo e negociando propina.

“O Ministério Público não será instrumento de um tipo de conduta que não parece conveniente à Justiça, mas sim a outros interesses certamente escusos”, afirmou Gurgel.

Barbosa fez um acordo de delação premiada com o MP, pelo qual recebe benefícios em troca de informações sobre o funcionamento do suposto esquema e provas contra os envolvidos.

“A partir do momento em que ele estabelece uma entrega, digamos, em conta-gotas, ele está sim rompendo os termos do acordo.”, disse o procurador.

Apesar de admitir a quebra de acordo, Gurgel disse que o MP ainda está acompanhando a conduta do pivô do escândalo e só derrubará a delação premiada se for caracterizada conduta “incompatível” com os termos do acordo.

“Nós estamos permanentemente acompanhando isso. Se colaborador tiver uma conduta que seja incompatível com o acordo de delação celebrado, esse acordo será prontamente rompido”, afirmou Gurgel.

O suposto esquema de pagamento de propina foi descoberto depois que a PF deflagrou, em novembro de 2009, a operação Caixa de Pandora, para investigar o envolvimento de deputados distritais, integrantes do governo do DF, além do então governador Arruda e de seu vice, Paulo Octávio (sem partido, ex-DEM). Octávio e Arruda sempre negaram envolvimento com o suposto esquema de propina.

Denúncia

A sub-procuradora-geral da República, Raquel Dodge, responsável pela elaboração da denúncia contra os envolvidos no suposto esquema de corrupção, afirmou que trabalha no exame das provas produzidas pelas investigações da Polícia Federal. Ela disse também que a existência de outros vídeos, ainda não entregues ao Ministério Público por Durval Barbosa, está sendo examinada.

“É um amplo conjunto de provas e um amplo conjunto de pessoas suspeitas. É preciso examinar com cuidado, porque nós temos que apresentar essa denúncia à Justiça com todo o cuidado possível que permita a punição dos culpados”, afirmou a sub-procuradora.

O procurador-geral e a sub-procuradora participaram nesta quarta da assinatura de um protocolo de cooperação com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres para melhorar a aplicação da Lei Maria da Penha, que estabelece punições para crimes de violência contra as mulheres.

Por Débora Santos

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