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PM acompanha reintegração de Reitoria na USP

PM acompanha reintegração de Reitoria na USP

Atualizado: Terça-feira, 12 Novembro de 2013 as 6

reitoria
A Polícia Militar acompanhou a reintegração de posse do prédio da reitoria da Universidade de São Paulo (USP), no campus da Zona Oeste da capital, na manhã desta terça-feira (12). Os alunos ocupavam o imóvel desde 1º de outubro para reivindicar o direito de participar do processo de seleção do novo reitor.
 
A Tropa de Choque cercou o prédio no fim da madrugada e a reintegração de posse ocorreu por volta das 5h30. Todos os alunos saíram do prédio e, por volta das 7h30, a maioria dos policiais já havia deixado a USP.
Na manhã de quarta-feira (6), o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) entregou aos estudantes a notificação da decisão judicial favorável à reintegração de posse. O Diretório Central Estudantil (DCE) chegou a entrar com recurso.
No total, 250 policiais, quatro carros do Choque e dois carros do Corpo de Bombeiros acompanharam a reintegração. Os bombeiros seriam acionados caso houvesse conflito.
 
 Os estudantes afirmaram que alunos em vigília observaram a chegada do Choque e avisaram os demais que estavam dormindo. Segundo a aluna de Letras Arielli Tavares, que participa da diretoria do Diretório Central Estudantil (DCE), afirmou que os estudantes optaram por sair antes da entrada dos policiais. Os alunos planejam fazer uma manifestação às 16h, na Avenida Paulista.
 
"É inadmissível que em meio a um processo de questionamento a universidade opte por utilizar uma força totalmente desproporcional. Essa estrutura de poder é insustentável e não é através da força que eles vão mudar isso", disse Tavares.
A PM também afirmou que a reintegração de posse ocorreu de forma tranquila, sem resistência. Segundo a PM, há muitos objetos quebrados dentro do prédio reitoria. Uma perícia será feita no prédio para depois ser liberado.
Na assembleia de quarta-feira os estudantes votaram a permanência no prédio apesar de um termo de acordo proposto pela universidade ter sido considerado um avanço por representantes do movimento.
A votação foi feita após uma comissão formada pela reitoria se reunir com estudantes e apresentar uma proposta para a saída dos alunos. O termo de acordo foi submetido à apreciação dos estudantes e 747 foram contra a assinatura do documento, o fim da greve e a saída voluntária do local. Outros 562 estudantes votaram a favor da assinatura do termo, do fim da greve e da desocupação da reitoria.
 
Ocupação
No dia 1º de outubro, alunos tentaram invadir a reunião do Conselho Universitário, dentro da Reitoria, onde eram discutidas mudanças na forma de eleição do reitor e do vice-reitor. Os estudantes usaram marretas, pé de cabra e até uma placa de trânsito para forçar a porta da sala onde acontecia o encontro. O conselho rejeitou as eleições diretas, mas aprovou mudanças na escolha dos nomes que irão compor a chamada lista tríplice.
Depois da decisão, os alunos decidiram, em assembleia, ocupar o prédio. O Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) manifestou apoio à ocupação e à greve decretada pelos estudantes. A entidade considerada um “total desrespeito a decisão do Conselho Universitário aos anseios e à luta dos estudantes, funcionários e professores da USP por democratização na Universidade de São Paulo”.
 
No último dia 15 de outubro, o desembargador José Luiz Germano, da 2ª Câmara de Direito Público do TJ-SP, havia concedido 60 dias para que os estudantes desocupassem o prédio da Reitoria.
O desembargador entendia, na época, que o prazo permitiria que as partes dialogassem para chegar a um acordo e evitar uma intervenção policial. "A solução não me parece ser a desocupação imediata e forçada, como quer a USP e, por isso, concedo o prazo de 60 dias para a desocupação voluntária", dizia o texto da decisão. A USP recorreu.
 
Os estudantes reivindicam a aprovação da eleição direta para os cargos de reitor e de vice-reitor da universidade. A decisão do juiz de 1ª instância ocorreu após reunião de conciliação entre representantes dos estudantes, funcionários, professores e a direção da USP, em que não conseguiram chegar a um acordo.
 
O juiz julgou que a Reitoria não estava aberta a um diálogo com os estudantes e preferiu optar pelo uso da força. Além disso, informou que as reivindicações de estudantes, professores e funcionários, prevendo a democratização da gestão da USP, apontam um possível benefício da ocupação, que seria mais importante que a "interdição parcial de funcionamento administrativo da USP" e os "danos de pequena monta ao seu patrimônio".
 

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