PM de SP apoia investigação de casos de resistência por Polícia Civil

PM de SP apoia investigação de casos de resistência por Polícia Civil

Atualizado: Quinta-feira, 7 Abril de 2011 as 4:38

O comandante geral da Polícia Militar de São Paulo, Coronel Alvaro Batista Camilo, afirmou no início da tarde desta quinta-feira (7) que apoia a decisão do governo do estado de São Paulo de transferir a investigação dos casos de resistência seguida de morte na PM para o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Ele avaliou como positiva a mudança, porque deixa a investigação desses casos mais transparente. A mudança na forma de investigação em casos de confronto com a PM foi anunciada nesta quarta-feira (6) pelo governador de São Paulo Paulo, Geraldo Alckmin.

“Essa decisão do governo do estado, do governador Geraldo Alckmin, das ocorrências serem investigadas pelo DHPP, tem total apoio da Polícia Militar de São Paulo”, disse. Com relação aos casos serem investigados pelo DHPP ou pelo Distrito Policial da área onde aconteceu o conflito, o coronel afirmou que “tanto faz”. “Sempre foi investigado pela Polícia Civil. Antes as ocorrências eram conduzidas ao DP. Agora serão conduzidas ao DHPP. É indiferente o local. Se isso vai melhorar para o cidadão, nós apoiamos”, afirmou.

      Segundo o coronel, o DHPP é melhor preparado para fazer as investigações, o que dará mais transparência às ações da Polícia Militar. “Quanto mais e melhor for investigado, é melhor para todos”, disse. Ele ressaltou ainda que os procedimentos internos da PM para investigar os desvios de conduta continuarão a ser feitos da mesma maneira.

O coronel também negou que haja conflito da PM com a Polícia Civil. “Não existe nada disso. A integração da PM com a Polícia Civil é muito boa: cedemos o Fotocrim, que a Polícia Civil está começando a utilizar, estamos fazendo boletim de ocorrência, que era uma atribuição exclusiva da Polícia Civil”, declarou.

Com relação à proposta de que nos casos de resistência, os feridos sejam socorridos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e pelos bombeiros, o coronel afirmou que a proposta “precisa ser estudada” e utilizou como exemplo conflitos ocorridos em locais ermos, onde o socorro costuma demorar a chegar. “Imagina se tivermos uma resposta policial mais forte a alguma agressão e acabou tendo lá um caso de confronto. Vamos ficar esperando até que o Samu venha? A intenção do socorro rápido pela polícia é para preservar a vida”, declarou. Ele teme que nesses casos, caso os PMs aguardem a chegada do socorro, os policias possam ser acusados de omissão.

Para o coronel, a mudança anunciada pelo governo surge em um momento em que os casos resistência seguidos de morte estão em declínio no estado. O número de ocorrências somam 108 no primeiro trimestre de 2011, contra 146 registrados no mesmo período de 2010, segundo ele.

Em relação à execução feita por policiais militares em um cemitério em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, em março, o coronel avalia que houve um desvio de conduta dos PMs, porque eles não seguiram os preceitos de preservação da vida. Se o Conselho de Disciplina decidir pela expulsão da corporação, eles não poderão voltar a trabalhar como policiais. Os dois PMs, que foram presos em flagrante e aguardam uma decisão judicial que definirá se continuarão ou não detidos.       

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