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PM usa bomba de gás lacrimogêneo para dispersar camelôs no Brás

PM usa bomba de gás lacrimogêneo para dispersar camelôs no Brás

Atualizado: Quarta-feira, 26 Outubro de 2011 as 11:16

Manifestantes fogem após PM lançar bombas de efeito moral (Foto: Werther Santana/Agência Estado)     A Polícia Militar voltou a usar bombas de efeito moral por volta das 9h40 desta quarta-feira (26) para conter os camelôs que protestavam na região da Feira da Madrugada, no Brás, no Centro de São Paulo, desde a madrugada. Este é o segundo dia de manifestação da categoria. No horário, bombas de gás lacrimogêneo obrigaram alunos da Escola Técnica Estadual (Etec) Carlos de Campos, na Rua Oriente, que começavam a ser dispensados por causa dos protestos, a voltar para a escola para se protegerem. Segundo a diretora acadêmica da Etec, Eliane Leite, assim como na terça-feira (25), a instituição decidiu liberar os alunos por questões de segurança.   Após a confusão, os ambulantes se dispersaram. Desde a madrugada, os camelôs que trabalham na região protestam contra a proibição de montarem suas barracas nas ruas do bairro.

Segundo o major da PM Wanderley Barbosa Filho, que comanda a operação no Brás, duas pessoas foram detidas nesta manhã por depredação. Às 10h30, ele informou que a ordem no bairro havia sido restabelecida e que o trânsito estava liberado em toda a região. Policiais realizam bloqueios para garantir que os ambulantes não voltarão a ocupar as ruas. “Acabou o diálogo com os manfiestantes. Eles não souberam cumprir as orientações”, disse Barbosa Filho.

De acordo com o major, a polícia precisou usar bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo porque os manifestantes bloquearam totalmente ruas do Brás, não acatacando a ordem de liberá-las.

Ao longo desta manhã, os camelôs obrigaram os comerciantes que insistiam em manter seus estabecimentos funcionando a baixarem as portas. Em sua grande maioria, as lojas da região da Feira da Madrugada amanheceram fechadas ou com as portas abertas pela metade.

Lojas amanheceram fechadas ou com as portas abertas pela metade nas ruas do Brás (Foto: Juliana Cardilli/G1) Na madrugada, os camelôs bloquearam a Avenida do Estado. Pela manhã, por volta das 7h05, eles voltaram a interditar a via por 15 minutos e só se retiraram após a ação da Polícia Militar. A Tropa de Choque e a cavalaria foram acionadas. Os manifestantes foram dispersos com bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo e tiros de bala de borracha. Segundo o major Marcelo Pignatari, a PM agiu por conta dos atos de vandalismo. "A PM está aqui para garantir a manifestação deles. A partir do momento que começaram a praticar atos de vandalismo, tivemos que agir". Segundo ele, os camelôs tentaram apedrejar lojas, incendiar um automóvel e fizeram pequenos focos de incêndio nas ruas do Brás.

"Tinha sido acordado com os manifestantes que a Avenida do Estado não seria interditada. Como descumpriram, a PM foi obrigada a agir com o Choque", explicou o major. Ainda de acordo com Pignatari, a Troca de Choque permanecerá no bairro para garantir o funcionamento do comércio. O presidente do Sindicato dos Camelôs Independentes de São Paulo, Leandro Dantas, entretanto, afirma que o que havia sido acordado com a PM é que os manifestantes iriam bloquear a Avenida do Estado por apenas dez minutos e que a corporação descumpriu o acertado.

Após novo tumulto, PM bloqueia vias do Brás para

evitar que camelôs voltem a se concentrar (Foto:

Juliana Cardilli/G1) Segundo Dantas, a intenção é fazer uma manifestação pacífica, sem confrontos. Os atos de vandalismo, segundo ele, foram causados por pessoas "infiltradas" no movimento. O representante dos camelôs informou ainda que a categoria programa um protesto conjunto com os comerciantes, que apoiariam os ambulantes, segundo ele. Dantas reclama ainda da falta de negociação com a Prefeitura de São Paulo. Os camelôs pedem à administração municipal a autorização para trabalharem nas ruas do Brás até dezembro, período em que alegam ser o melhor do ano para as vendas. Para a PM, os ambulantes não são cadastrados e não têm, portanto, autorização para montar suas barracas naquela área.

A feira estava aberta desde esta madrugada, com policiais militares reforçando a segurança em suas entradas. Ninguém foi preso e não foi registrado vandalismo ou confronto com os policiais militares que acompanharam a manifestação.

Segundo o comando da PM, cerca de 400 policiais estavam na região da feira por volta das 6h45 desta quarta-feria, incluindo homens da Força Tática. A cavalaria da corporação bloqueava o acesso da Rua São Caetano, no cruzamento com a Avenida do Estado. Ainda segundo a PM, cerca de 300 manifestantes ocupam as ruas do bairro no início desta manhã.

A manifestação começou na noite de segunda e se estendeu pela madrugada de terça-feira (25), quando a PM iniciou a Operação Delegada nas ruas do bairro. Manifestantes incendiaram dois carros, e uma banca de jornal e uma loja foram depredadas. Durante toda a manhã de terça, foram feitas manifestações e as lojas da região foram impedidas de permanecer com suas portas abertas.        

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