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PMDB deveria ocupar "mais cargos no governo", diz presidente do partido

PMDB deveria ocupar "mais cargos no governo", diz presidente do partido

Atualizado: Terça-feira, 10 Maio de 2011 as 8:58

SÃO PAULO - O presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), defendeu nesta segunda-feira, 9, o apetite de seu partido por cargos na máquina estatal, mas negou que a agremiação tenha a intenção de romper com o governo por conta de eventuais insatisfações. Na opinião de Raupp, cinco meses após a posse de Dilma Rousseff, o PMDB continua sub-representado no governo. Ele ressaltou, no entanto, que a situação caminha para a normalidade.

"Todo partido que ajuda a ganhar o governo, em qualquer democracia do mundo, deve ajudar a governar também. Eu acho até que o PMDB ocupa menos cargos do que o tamanho que ele tem. Deveria até estar ocupando mais cargos no governo do que está ocupando hoje. Mas acho que isso está próximo de acabar", disse Raupp à TV Estadão.

A entrevista vem três dias depois de o senador, que ocupa o cargo interinamente no lugar do vice-presidente da República, Michel Temer, declarar que o PMDB não descarta romper, em 2014, a aliança que levou Dilma à vitória em 2010. Segundo Raupp, a defesa da candidatura própria não é reflexo de insatisfações com o governo, mas o caminho natural para um partido "do tamanho do PMDB".

"Eu entendo que, todo grande partido, como o PMDB, deve ter nomes em condição de disputar uma eleição presidencial. Mesmo que hoje nos tenhamos uma aliança saudável com o PT, e não descartamos a possibilidade de manter essa aliança em 2014, devemos estar preparados com nomes em condições de disputar também a Presidência da República", afirmou.

Leia os principais trechos:

O sr disse na semana passada que é possível que o partido não reedite a aliança vitoriosa de 2010 com o PT, e que lance candidato próprio em 2014. Em que estágio se encontra essa discussão dentro do partido hoje?

Eu tenho falado em todos os encontros do PMDB, e o próprio vice-presidente e presidente licenciado do partido, Michel Temer, tem dito também, que o PMDB já está preparado para, se preciso, disputar a eleição presidencial. O nosso foco, nas eleições de 2012, é orientar todos os municípios para terem candidatura própria. Essa é uma orientação da executiva nacional. E eu entendo que, todo grande partido, como o PMDB, deve ter nomes em condição de disputar uma eleição presidencial. Mesmo que hoje nos tenhamos uma aliança saudável com o PT, e não descartamos a possibilidade de manter essa aliança em 2014, devemos estar preparados com nomes em condições de disputar também a Presidência da República. No caso, do vice-presidente Michel temer, que é o nosso líder maior, e hoje o PMDB analisa também, com muita simpatia, o nome do governador Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, como uma liderança forte.

E que fatores poderiam levar a um rompimento da aliança com o governo?

No momento, não tem nenhum motivo, nenhum fator que nos diga que a gente vá romper a aliança. Se não tivermos nenhum problema até o final desse mandato, há possibilidade sim de mantermos essa aliança. Mas repito: nós devemos estar preparados, com nomes em condições de, se preciso, disputar a Presidência da República.

O sr tem citado pontualmente 2014. Há alguma avaliação de que a presidente Dilma possa fazer um governo não tão benéfico ao projeto do PMDB como foi o governo Lula?

Não existe nenhuma avaliação. Mas nós entendemos que o PMDB cometeu o grande pecado (de não ter candidaturas próprias). Inclusive, até o (ex)presidente Lula me falou um dia, numa viagem internacional, que o grande erro do PMDB foi não ter preparado nomes, lideranças, com condições de disputar a Presidência da República. E eu e todos nós reconhecemos que o PMDB cometeu esse erro. Eu tenho falado sempre nos nossos encontros e reuniões que nós temos que aproveitar este momento, que o PMDB volta ao centro do poder, com o vice-presidente, Michel Temer, para preparar esses nomes. Nós devemos ter nomes em condições de lançar, se não em 2014, em 2018.

E como o sr acha que deve ser esse processo de preparação? Ele passa por 2012?

Minha missão como presidente é preparar o partido para lançar candidatura própria, se possível, em todas as cidades brasileiras. De preferência nas grandes cidades. Para isso, já temos em São Paulo um nome (do deputado federal Gabriel Chalita) que dá pra ser filiado com condições de ser candidato a prefeito. Estamos trabalhando também em Belo Horizonte, já temos no Rio de Janeiro a reeleição do Eduardo Paes, e vamos procurar filiar lideranças em condições de disputar eleições em todas as capitais e principais cidades brasileiras onde não tivermos nomes fortes. É claro que, onde tivermos uma aliança formalizada e sólida com outros partidos, ela pode ser reeditada.

As parcerias com o PT são prioritárias ou, no plano regional, elas independem da aliança nacional?

Independem. Na eleição passada para prefeito foi tirada uma resolução de que, preferencialmente, o partido tem que se coligar com partidos da base. Isso aconteceu, é claro, na maioria (das cidades). Mas independe. Até porque, o PMDB é o partido mais antigo em atividade no Brasil, e é um partido que se relaciona com todos os partidos. O PMDB não faz distinção de nenhuma outra sigla partidária, porque a maioria delas nasceu do PMDB. Então o PMDB pode ter aliança com todos os partidos.

Com a vitória eleitoral de 2010 e alguns ajustes regionais, como o resultante da morte do ex-governador Orestes Quércia, em São Paulo, o PMDB passa por um processo de discussões internas para seu fortalecimento. Mas, embora tenha o que comemorar com os resultados de 2010 e a chegada de novos quadros, o partido continua desgastado por anos de falta de um projeto claro e sempre sob a sombra do fisiologismo e das suspeitas envolvendo alguns de seus expoentes. Diante deste quadro, quais são as bandeiras do PMDB hoje e como lidar com o desafio da mudar a imagem do partido?

O PMDB está procurando se reciclar, renovar. No plano nacional, o PMDB continua muito forte. É o maior partido do Brasil no número de vereadores, de prefeitos e senadores. Não é mais no número de governadores, mas está praticamente empatado com outro partidos. E, na Câmara dos Deputados, tem a segunda bancada, mas há votações em que dá mais voto aos projetos de interesse do governo do que o próprio partido da presidente, que é o PT. Em São Paulo, no entanto, a situação é um pouco diferente. São Paulo tem 70 cadeiras na Câmara dos Deputados e o PMDB, nesta última eleição, só fez uma. Temos que reconhecer o papel importante que o Quércia teve na história do PMDB, mas nos últimos tempos o partido ficou parado. Tinha um acordo para o Temer cuidar do diretório nacional e o Quércia cuidar do diretório de São Paulo. E aí foi onde o PMDB deu uma estagnada, uma caída. Agora, com o Baleia Rossi na presidência do PMDB e o apoio do Michel, a história está sendo mudada. Tenho certeza de que, na próxima eleição, o PMDB vai fazer muito mais prefeitos e vereadores, tanto na capital como no interior do Estado. E o foco em 2014 também é se fortalecer no Estado.

Mas qual é a estratégia do partido para trabalhar a imagem de que o partido é adepto do fisiologismo e está sempre insatisfeito com a distribuição de cargos no governo?

O PMDB leva a pecha de partido fisiológico mas, no entanto, tem muito menos cargos do que outros partidos (no governo). No primeiro governo Lula, nos dois primeiros anos, o PMDB não ocupou cargo nenhum. Não ocupou nenhum ministério, mas, em dois anos, não deixou de dar apoio ao governo, de dar sustentabilidade e governabilidade ao governo do presidente Lula. Nos momentos mais difíceis do primeiro mandato, o PMDB, mesmo sem cargo, estava apoiando a governabilidade. Dado a importância do PMDB, ao tamanho do PMDB. Um partido do porte do PMDB, da história do PMDB, não pode se dar ao luxo de fazer oposição por um problema qualquer com o governo. Essa responsabilidade nós sempre tivemos. E hoje, realmente, a mídia fala muito que o PMDB é um partido fisiológico, que fica só buscando cargo. Não. Todo partido que ajuda a ganhar o governo, em qualquer democracia do mundo, deve ajudar a governar também. Eu acho até que o PMDB ocupa menos cargos do que o tamanho que ele tem. Deveria até estar ocupando mais cargos no governo do que está ocupando hoje. Mas acho que isso está próximo de acabar.

Além da governabilidade, que outras bandeiras o sr citaria como bandeiras do partido?

O PMDB definiu neste ano como bandeira prioritária, num primeiro momento, a reforma política, que já está acontecendo. Foi instalada primeiro a comissão no Senado, pelo presidente José Sarney, e depois foi instalada na Câmara. Acho até que foi um erro estratégico dos dois presidentes, que deveriam ter instalado uma comissão única, que poderia andar mais rápido e, na hora que fosse mesmo para fechar um projeto, evitar bater cabeça. A sociedade cobra uma reforma política mais forte e mais transparente. Defendemos também a melhoria na saúde, na educação e na segurança pública. O governo Lula foi muito bom para a economia, para a renda das famílias, mas deixou a desejar em alguns pontos. A saúde pública vai muito mal. Precisa ser melhorada, e essa é uma bandeira do PMDB. E a educação. Acho que através da educação nós vamos chegar a ser uma superpotência, que é o caminho que o Brasil deve seguir. Nós precisamos avançar na Saúde, na Educação e na Segurança Pública. Esses três temas são temas que o PMDB vai bater neste ano e, logicamente, nos anos seguintes.

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