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PMs de 11 estados vão ter aula de policiamento comunitário no Japão

PMs de 11 estados vão ter aula de policiamento comunitário no Japão

Atualizado: Sexta-feira, 11 Junho de 2010 as 11:15

Policiais militares de onze estados viajaram, na madrugada desta sexta-feira (11), para fazer um curso de policiamento comunitário no Japão, conhecido como Koban, até 27 de junho. Esta é a segunda turma enviada ao país pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Ministério da Justiça, desde novembro de 2008, quando foi firmado um convênio Federal com a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA). A filosofia japonesa nesse tipo de policiamento é aplicada em São Paulo desde 1999.

O sistema japonês usa três policiais, por turno, numa base, e tem como objetivo coletar opiniões da comunidade sobre questões relacionadas à segurança, além de ampliar a integração da ação policial com os moradores de uma determinada região.

No Japão existem mais de 6,5 mil kobans (bases comunitárias), 8,1 mil chuzaishos (postos policiais maiores) e 8,4 mil policiais envolvidos na atividade, o soma cerca de 40% do efetivo direcionado ao trabalho preventivo. A tradição passa de 130 anos. Segundo a JICA, 85% das ocorrências são solucionadas no país oriental.

Segundo o coronel Erisson Lemos Pita, coordenador do Plano de Implantação e Acompanhamento de Programas Sociais de Prevenção da Violência, do Ministério da Justiça, o governo brasileiro vai arcar com o custo das passagens dos policiais (13 ao todo, incluindo dois dirigentes da comitiva) e as diárias de cada um, que inclui valor para hospedagem. ''O governo japonês fica responsável pelo curso, material didático, tradução simultânea e traslados pela capital do Japão.''

Na comitiva brasileira estão policiais do Acre, Bahia, Minas Gerais, Distrito Federal, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Pará, Rio de Janeiro, Goiás, Alagoas e Espírito Santo.

Etiqueta japonesa

Para garantir que a diferença cultural entre os dois países não provoque alguma dificuldade entre os policiais brasileiros e japoneses, a JICA enviou ao Brasil uma equipe para ensinar ''boas maneiras'' aos integrantes da comitiva brasileira que viajou ao Japão. Os militares passaram a quinta-feira recebendo instruções para evitar gafes no relacionamento com os colegas nipônicos.

''Recebemos instruções básicas de como nos portar, sobre horários, os cumprimentos corretos, além de algumas frases para nos comunicarmos de maneira simplificada. Nada que a nossa disciplina de policial já não nos tenha deixado preparado'', disse o capitão Luis Gustavo Danzmann, do Distrito Federal.

Esta é a primeira viagem internacional dele em missão. ''Já estive na Argentina e no Uruguai, mas foram viagens particulares. A cultura japonesa é muito diferente, mas tenho certeza que a viagem valerá, principalmente pela possibilidade de formação policial com base em um trabalho centenário da polícia do Japão. Não creio em dificuldades, pois há policiais japoneses que trabalham com brasileiros há dez anos e muitos já falam português.''

Corporação comunitária

Pita disse que 50 mil policiais militares estão capacitados no Brasil com curso básico de policiamento comunitário. ''Esse é um requisito inicial para que o policial possa participar da experiência no Japão. A seleção é rigorosa e apenas tenentes e capitães podem se inscrever no curso internacional de multiplicadores do Koban'', disse Pita.

O capitão Cristiano Guedes segue com a comitiva para o Japão. Ele é coordenador de cursos de polícia comunitária da Senasp. ''Desde 2008, já implementamos bases comunitárias no Mato Grosso, no Distrito Federal e no Pará. Cada um a seu modo regional. Um exemplo disso é o que acontece no Rio de Janeiro, onde o policiamento comunitário é chamado de Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).''

Em São Paulo, segundo Pita, 480 policiais estão capacitados como gestores e operadores das bases comunitárias. Na próxima semana, 12 policiais militares de São Paulo e 28 membros das corporações de 11 estados participam de um curso com japoneses na Academia de Polícia Militar do Barro Branco.

Por Glauco Araújo

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