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Polícia Civil prende quatro policiais suspeitos de tortura no Rio

Polícia Civil prende quatro policiais suspeitos de tortura no Rio

Atualizado: Quarta-feira, 6 Abril de 2011 as 11:33

Quatro dos cinco policiais suspeitos de praticar atos de tortura foram presos na manhã desta quarta-feira (6), no Rio, de acordo com informações do Corregedor da Polícia Civil Gilson Emiliano. Segundo ele, um dos policiais se entregou espontaneamente. Um dos cinco policiais ainda não foi encontrado.

O juiz Luciano Silva Barreto, da 9ª Vara Criminal, aceitou o pedido do Ministério Público e decretou a prisão temporária dos cincosuspeitos de torturar um funcionário de um ferro-velho nas dependências da 10ª DP (Botafogo). Os suspeitos foram afastados da polícia no dia 31 de março.

De acordo com o Emiliano, cinco equipes da corregedoria estão nas ruas desde as 5h30 desta quarta-feira (6) para prendêr-los. Segundo ele, os presos serão levados para a corregedoria e depois encaminhados à penitenciária Bangu 8. O corregedor ainda aguarda a chegada do laudo pericial do alicate recolhido na delegacia e que teria sido usado para torturar a vítima. Emiliano espera ainda conseguir contato com a vítima para fazer um reconhecimento pessoal dos suspeitos.

Pedido de prisão na segunda-feira

A prisão temporária foi pedida pelo Ministério Público do Estado do Rio (MPE) pediu na segunda-feira (4). De acordo com o pedido do MP, a prisão visa permitir que a autoridade policial consiga coletar informações e garantir que os envolvidos estejam à disposição da Justiça.

O documento diz ainda que a providência é necessária porque “os indiciados são perigosos e suas condutas são altamente reprováveis, afetando a própria estrutura social e a tranqüilidade da comunidade local, até por serem agentes do Estado com o poder/dever de proteger a população".

Os policiais foram afastados dos cargos, na tarde de sexta-feira (1º). A chefe da Polícia Civil, delegada Martha Rocha, decidiu também transferir da unidade o delegado José Pires Lage, substituído pelo delegado Rodrigo Oliveira.     Como foi

Após denunciar ter sido vítima de tortura, a suposta vítima afirmou que foi agredida pelos policiais durante, pelo menos, três horas numa sala. Segundo o rapaz, que é funcionário de um ferro-velho na Região dos Lagos, policiais queriam forçá-lo a dizer que o dono do estabelecimento comercial tinha envolvimento com assaltantes de carros que agiam em Botafogo e foram presos. Ainda segundo a vítima, eles usaram métodos violentos.

“Me agrediram, me bateram, socos na barriga, tapa na cara, dois batendo na minha cara. Aí chegou um policial e mandou eu tirar a roupa: 'tira a roupa, fica pelado!'. O policial foi em cima do armário e pegou o alicate e foi no meu pênis e pegou e apertou, aí eu comecei a gritar”, contou.     Penas variam de dois a oito anos de prisão

De acordo com a Corregedoria da Polícia Civil, as penas para o crime de tortura variam entre dois e oito anos de prisão. A chefe de polícia afirmou que toda vez que houver esse tipo de comportamento de policiais civis, ela recomendará que se trabalhe com eficiência.

“Eu quero deixar muito claro a nossa transparência e o nosso compromisso de agir de acordo com a lei. Nós seremos sempre eficientes, rápidos e transparentes”, disse Martha Rocha.      

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