Polícia diz que sapato de Mizael tinha alga de represa onde estava Mércia

Polícia diz que sapato de Mizael tinha alga de represa onde estava Mércia

Atualizado: Quarta-feira, 1 Setembro de 2010 as 9:09

Os laudos sobre a morte da advogada Mércia Nakashima apontaram que, em um dos pares de sapato apreendido na casa do principal suspeito do crime, Mizael Bispo de Souza, havia uma alga compatível com a existente na represa de Nazaré Paulista, no interior de São Paulo. Foi ali que o corpo da vítima foi localizado, em junho. A polícia apresentou as conclusões do laudo nesta terça-feira (31).

“Eu me sinto à vontade para dizer que o sapato esteve no local do crime”, afirmou nesta terça-feira (31) o perito Renato Pattoli, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Dois pares de sapato de Mizael, ex-namorado de Mércia, foram recolhidos pelos peritos na casa dele durante as investigações.

O delegado Antonio de Olim, responsável pela investigação, diz que o sapato “incrimina o Mizael”. “O laudo mostrou tudo aquilo que eu falei desde o começo. Nós temos o senhor Mizael na cena do crime, tudo o que aconteceu na cena do crime, o sapato dele com vestígios de sangue, osso e a alga que foi achada dentro da represa.”

De acordo com ele, só dois pares do acusado foram retirados da casa dele. O critério foi apresentar algum vestígio de terra. Apesar disso, Olim afirmou que os calçados já tinham sido limpos quando a polícia foi à casa dele, em Guarulhos, na Grande São Paulo, e foi preciso o uso de um microscópio para fazer as análises.

Segundo a perícia, a amostra de uma alga que tem na represa foi levada para o Instituto de Botânica da Universidade de São Paulo (USP). Ali, os técnicos identificaram o gênero do vegetal. Em seguida, foi realizado o confronto com a alga encontrada na sola de um dos pares de sapato localizado na residência de Mizael. O laudo também concluiu que, para a alga ser encontrada no sapato, a pessoa teria que entrar na represa. “Ela é subaquática. Então não basta andar na margem”, afirmou o Pattoli. Segundo ele, o vegetal não cresce na beirada da represa por causa do excesso de luz. Isso significa, para os peritos, que a pessoa que usava o sapato entrou na água.

Segundo a perícia, existe a possibilidade de essa alga crescer em outras represas, mas ela é bastante comum na de Nazaré Paulista. "Existem umas particularidades, umas características dessa alga", afirmou o perito. Pattoli contou que a amostra encontrada no sapato de Mizael é recente, que poderia coincidir com a época do crime. No mesmo calçado, Pattoli disse que foram encontradas manchas de sangue e um pequeno pedaço de osso, mas não foi possível realizar o exame de DNA por causa da pouca quantidade de material. Também havia chumbo no calçado.

Os peritos localizaram dois projéteis no carro da advogada, ambos disparados pela mesma arma, provavelmente de calibre 38. Nos dois havia material orgânico e, em um deles, fibra da blusa usada por Mércia no dia do desaparecimento. Isso indicou para a perícia a trajetória da bala, de baixo para cima, atingindo o braço e, depois, o maxilar da vítima.

O advogado de Mizael, Samir Haddad Júnior, disse que a alga “não prova nada”, porque não é exclusividade da represa de Nazaré Paulista. “São coisas que não batem, não ligam o Mizael à cena do crime. A defesa está tranquila, não me trouxeram a prova contundente. Eu respeito a perícia, só acho que não prova nada”, afirmou na tarde desta terça-feira (31).

Conclusão do laudo

A perícia da Polícia Técnico-Científica de São Paulo concluiu na madrugada desta terça o laudo sobre como a advogada Mércia Nakashima foi assassinada. O documento de quase 200 páginas, sendo 20 com o relatório da dinâmica da cena do crime e o restante com o resultado de mais 13 exames e análises, será entregue à Polícia Civil, na capital paulista, ao Ministério Público e à Justiça, em Guarulhos, na Grande São Paulo.

Postado por: Thatiane de Souza

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