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Polícia do Rio apura ligação entre Nem da Rocinha e facção rival em ataques

Polícia do Rio apura ligação entre Nem da Rocinha e facção rival em ataques

Atualizado: Quarta-feira, 24 Novembro de 2010 as 11:56

A Polícia Militar confirmou nesta quarta-feira (24) que está investigando a ligação de Nem, o chefe do tráfico da Rocinha, com uma facção criminosa rival para orquestrar os recentes ataques que vêm ocorrendo na capital e Região Metropolitana do Rio.

“Existe uma investigação que está avaliando a possibilidade do Nem estar orquestrando esses ataques junto com outra facção criminosa”, afirmou o relações públicas da Polícia Militar, coronel Lima Castro.

Orgãos de inteligência da polícia

Na última terça-feira (23), o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, afirmou que o governo recebeu informações, ainda não confirmadas pelos órgãos de inteligência da polícia, de que duas grandes facções criminosas do Rio teriam se unido para ordenar os ataques.

Ele explicou também que a Secretaria recebeu há cerca de um mês algumas informações sobre os atos criminosos, mas de acordo com Beltrame, muitos deles não se confirmaram ou foram reprimidos pela polícia.

Apesar do caos e da sensação de insegurança dos moradores do Rio, para Beltrame, esses ataques não são representam o momento mais crítico da política das UPPs. A princípio, o secretário revelou que não pretende usar a Força Nacional para conter os atos criminosos.

“Quem atravessar o caminho daquilo que está sendo posto ao Rio será atropelado”. “Não temos a pretensão de acabar com o tráfico. Ele existe em Nova York, em Paris, e em qualquer lugar do mundo. Mas o território imposto por armas de fogo tem que acabar”, afirmou na última terça.

PM de prontidão

Após 11 ataques entre a noite de terça-feira (23) e a madrugada desta quarta-feira (24), a Polícia Militar informou que todo seu contingente está de prontidão. Segundo o relações públicas da PM, coronel Lima Castro, todos os policiais militares foram convocados e o expediente não tem horário de término.

“Toda a Polícia Militar está de prontidão. O esquema anterior era de redução de folgas, mas nesse momento todos os policiais que estavam em casa foram convocados e o expediente não tem hora para acabar”, informou o coronel.

No início da manhã desta quarta, policiais militares e bombeiros foram chamados para um incêndio ocorrido num ônibus, na Avenida Vicente de Carvalho, próximo da estação do metrô de Vicente de Carvalho, no subúrbio do Rio. Outros dois veículos foi encontrados em chamas em Cavalcanti e em Santa Cruz, no subúrbio e na Zona Oeste. No fim da manhã, um Policiais civis da Divisão de Homicídios (DH) prenderam em flagrante,  um suspeito de ter incendiado o veículo.  

A decisão de deixar a PM em prontidão aconteceu na manhã desta quarta, em uma reunião no Quartel Central da Polícia Militar, no Centro do Rio, entre representantes da cúpula da instituição.

Estratégias não falharam, diz PM

A Polícia Militar do Rio afirmou nesta manhã que a estratégia traçada inicialmente pelos órgãos de segurança pública não falhou.

“(A estratégia) Não falhou. Fizemos uma reunião no Quartel General, quando foram dadas novas ordens, mas a participação da comunidade é fundamental. Estamos trabalhando em cima de denúncias e checando informações. As tropas continuam nas ruas e daremos seqüência ao trabalho hoje. Vai ser feito uma reunião para que se verifique se os horários tem que ser trocados, policiais remanejados e definir esses locais. Já temos alguma coisa preparada desde ontem”, disse o Relações Públicas da PM, coronel Lima Castro.

Cronologia dos ataques

Os novos ataques aconteceram em diferentes pontos do estado. Segundo a PM, os crimes aconteceram na Dutra; no Rio Comprido, na Zona Norte; no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste; em Belford Roxo e em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense; e em São Gonçalo e Niterói, na Região Metropolitana.

Desde domingo, três cabines da Polícia Militar baleadas e aconteceram, no total, 22 ataques, com 23 veículos incendiados, sendo 14 somente nas últimas 24 horas. Os locais alvos de violência foram a Linha Vermelha, a Via Dutra, Irajá e Del Castilho, no subúrbio; Tijuca e Estácio, na Zona Norte; Laranjeiras e Lagoa, na Zona Sul; Santa Cruz, na Zona Oeste; Vicente de Carvalho e Cavalcanti, ambos no subúrbio. Dois veículos foram incendiados na manhã desta quarta-feira (24). A polícia investiga se há ligação com os ataques.

Governo pede transferência de presos

O governo do Rio pediu na terça-feira (23) a transferência de pelo menos oito detentos para presídios de segurança máxima fora do estado. A informação é do secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, que afirma que esse número pode chegar a 13. O pedido de transferência já foi feito à Vara de Execuções Penais.

O secretário também confirmou que o governo recebeu informações, ainda não confirmadas pelos órgãos de inteligência da polícia, de que duas grandes facções criminosas do Rio teriam se unido para ordenar os ataques. Ele explicou também que a Secretaria recebeu há cerca de um mês algumas informações sobre os atos criminosos, mas de acordo com Beltrame, muitos deles não se confirmaram ou foram reprimidos pela polícia.

O Ministério da Justiça também informou que a Força de Segurança Nacional está em estado de alerta e pode ser acionada a qualquer momento a pedido do governo do Estado do Rio. No entanto, a princípio, o secretário de segurança do Rio revelou que não pretende usar a Força Nacional para conter os atos criminosos.

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