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Polícia do Rio investiga se Joanna foi vítima de tortura

Polícia do Rio investiga se Joanna foi vítima de tortura

Atualizado: Quinta-feira, 30 Setembro de 2010 as 4:52

O inquérito que investiga a morte da menina Joanna Cardoso Marcenal Marins, de 5 anos, pode sofrer mudanças. A delegada que assumiu o caso interinamente, Valéria Aragão, afirmou nesta quinta-feira (30) que analisa mudar a tipificação do crime de maus-tratos para tortura. A criança morreu em agosto, após ficar quase um mês em coma. Joanna tinha várias manchas pelo corpo e estava sob a guarda do pai. Sua morte ainda é um mistério para os médicos e a polícia.

Desde julho, a Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav) investiga o caso. A mãe, a médica Cristiane Marcenal, acusa o pai da menina, o técnico judiciário André Marins, de maus-tratos. Ele nega as acusações.

Em agosto, um l audo preliminar do IML sugeriu que as marcas fossem queimaduras. Desde o nascimento de Joanna, os pais travam uma batalha judicial pela guarda da filha.

Joanna estava internada em um hospital no Rio de Janeiro em coma desde o dia 19 de julho e morreu no dia 13 de agosto. Antes, ela foi atendida e liberada num hospital na Zona Oeste, por um falso médico , que já teve a prisão preventiva decretada no dia 10 de setembro e está foragido. A pediatra que o contratou foi presa.

Tortura: pena pode chegar a 8 anos de prisão

A delegada Valéria Aragão disse que pretende concluir o inquérito na próxima semana, quando também deve ficar pronto o laudo do Instituto Médico Legal (IML) com as causas da morte e das manchas. Uma outra hipótese levantada é que ela tenha sido vítima de meningite .

Valéria Aragão acrescentou que o depoimento de uma ex-babá de Joanna pode causar uma reviravolta nas investigações. A ex-funcionária disse em depoimento que encontrou Joanna em um quarto, amarrada com fitas nos pés e nas mãos, suja de fezes e urina. De acordo com a polícia, a babá afirmou que, questionado sobre a situação da filha, o pai, André Marins, disse que era a recomendação do psiquiatra, já que Joanna poderia ter uma crise de convulsão.

A delegada explica que a pena para o crime de tortura é bem mais rigorosa do que a de maus-tratos. A punição para o crime de tortura pode chegar a 8 anos de prisão, enquanto maus-tratos é considerado delito de baixo potencial ofensivo.

“Há grandes diferenças entre maus-tratos e tortura. Os maus-tratos se caracterizam como um excesso no meio de correção ou castigo. Já a tortura é o prazer de castigar e de imputar a vítima um intenso sofrimento físico ou mental”, disse Valéria.

'Campo de concentração nazista '

"Parece concentração de campo nazista", afirmou Cristiane Marcenal, depois de ler o depoimento da babá na delegacia na terça-feira (28). "Não sei quanto tempo minha filha ficou assim. Minha filha deve ter entrado em coma ali. Isso está me causando uma revolta insuportável", afirmou a mãe.

O depoimento da babá foi dado em meados de setembro. Nele, de acordo com a polícia, a funcionária disse ainda que a menina dormia no closet do quarto de André e sua mulher, madrasta de Joanna, num colchonete que estaria sujo de fezes. Segundo ela, as outras duas filhas de André dormiam em colchonetes no quarto deles.

De acordo com a delegacia, a babá lembrou também que, certa vez, ouvira a menina reclamar de estar com os olhos ardendo.       Postado por: Guilherme Pilão

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