Polícia investiga envolvimento de PMs em chacina em Campinas

Polícia investiga envolvimento de PMs em chacina em Campinas

Atualizado: Terça-feira, 18 Maio de 2010 as 12:06

A Polícia Civil de Campinas, a 93 km de São Paulo, investiga a possibilidade do envolvimento de policiais militares na chacina que matou quatro pessoas da mesma família na noite de segunda-feira (17) na cidade. De acordo com as investigações e informações dadas por parentes, uma das vítimas, um cabeleireiro de 20 anos, tentou roubar um PM e sua namorada em abril em Indaiatuba, na mesma região. O crime terminou com troca de tiros e tanto o policial quanto sua namorada ficaram paraplégicos.

"Investigamos a possibilidade de o crime ter sido uma vingança por parte de policiais militares", disse ao G1 na manhã desta terça-feira (18) o delegado Rodrigo Otávio Monteiro, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Campinas.

Segundo o delegado, algumas testemunhas já foram ouvidas informalmente antes da elaboração do boletim de ocorrência, mas elas ainda devem prestar depoimentos formais. Ele não quis dar mais detalhes das providências que serão tomadas para não prejudicar o andamento das investigações.

O crime aconteceu no Jardim Novo Maracanã, periferia de Campinas. O cabeleireiro de 20 anos e seu pai, um porteiro de 43 anos, foram mortos a tiros quando estavam na frente de casa. De acordo com o boletim de ocorrência, testemunhas disseram que três homens armados - dois encapuzados e um com o rosto livre - desceram do carro e atiraram.

Após a constatação da morte das duas primeiras vítimas, os criminosos entraram na casa e atiraram contra a mãe do cabeleireiro, uma cozinheira de 43 anos, e sua avó, uma aposentada de 82 anos. As duas mulheres foram socorridas por vizinhos, mas morreram no hospital.

Crueldade

De acordo com depoimento dos PMs que atenderam a ocorrência, os corpos dos dois homens estavam cobertos por tecidos - colocados pelos vizinhos. O cabeleireiro teve a mão direita amputada e levada pelos criminosos como um "troféu", segundo a polícia.

Para os familiares das vítimas, os autores podem ser possivelmente policiais militares em vingança pelo colega que ficou paralítico na ocorrência com o cabeleireiro. O caso foi registrado como homicídio qualificado de autoria desconhecida. Um telefone celular e cápsulas deflagradas foram apreendidas no local do crime.

Procurada pelo G1, até as 10h45 desta terça-feira, a Polícia Militar ainda não havia se pronunciado sobre a suspeita levantada pela Polícia Civil durante as investigações.

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