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Polícia investiga morte de jovem que fez aborto em clínica da Baixada do RJ

Polícia investiga morte de jovem que fez aborto em clínica da Baixada do RJ

Atualizado: Segunda-feira, 13 Setembro de 2010 as 11:28

Policiais da 54ª DP (Belford Roxo) investigam a morte de uma jovem de 26 anos após fazer aborto em uma clínica clandestina em Belford Roxo. A jovem morreu no domingo (12), e o aborto foi feito dez dias antes. De acordo com a delegada Sandra Ornellas, há suspeitas de o aborto ter sido incentivado pelo pai do bebê, que seria um assessor político que trabalha na prefeitura do município.

No registro policial consta, segundo Ornellas, que o assessor buscou a jovem em casa no dia 2 de setembro, pela manhã, e ela não retornou mais durante todo o dia. Ela estaria com mais de 12 semanas de gravidez.

À noite uma amiga da jovem teria ligado para a família, avisando que ela estava passando mal e seria internada no Hospital de Clínicas de Belford Roxo. Devido à gravidade do quadro de saúde da jovem e ao fato de o Hospital de Clínicas não possuir Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), ela precisou ser transferida para o Hospital Pasteur, no Méier, onde permaneceu por dez dias em coma.

Segundo a delegada, o acusado também já foi ouvido e negou as acusações. Entretanto, ele afirmou à polícia que buscou a jovem em casa no dia 2 de manhã. De acordo com a delegada, ele disse ainda que duvidava que o filho era dele e contou que era a jovem quem falava em aborto.

“Os elementos que temos para indiciá-lo são fracos. Estamos dependendo de documentos do Hospital de Clínicas e do Pasteur, para confirmar o aborto e saber onde efetivamente ele foi realizado. Além disso, precisamos ouvir pessoas que foram mencionadas nos depoimentos, como duas amigas que teriam conversado com ela”, disse Ornellas.

Jovem deixa filha de 8 anos

Ela afirmou que pretende ouvir também os diretores das clínicas. Um deles é o sócio o Hospital de Clínicas, que será ouvido pela polícia nesta segunda-feira (13), para esclarecer as denúncias de contratação de falsos médicos na sua unidade .

A família da jovem, ainda abalada, não sabe o horário do enterro, que deverá ser no cemitério de Belford Roxo. A jovem deixa uma filha de oito anos.

A tia e o irmão dela, que prestaram depoimento à polícia no dia 6, afirmaram que só souberam da gravidez e também do aborto quando ela foi internada.

Pai de bebê teria dado dinheiro para aborto

De acordo com o registro policial, a jovem teria contado a uma amiga que a clínica ficava no bairro Nova Aurora, em Belford Roxo, e que lá teriam injetado um líquido em sua veia e também na vagina. A partir daí, a jovem teria dito que não se lembrava mais de nada.

Um dos quatro irmãos da jovem e uma tia dela contaram que há rumores de ela ter recebido cerca de R$ 300 do pai do bebê para realizar o aborto.

“Ela era uma menina ingênua, não tinha maldade. Ela não quis tirar o bebê, ele que induziu ela a tirar”, afirmou uma tia da jovem, que esteve com a jovem em coma e pretendia visitá-la novamente nesta segunda. “O irmão dela falou que ela estava melhor, mas de repente ela passou mal e teve falência múltipla dos órgãos”, lamentou a tia.

O irmão da vítima contou que a jovem mantinha um caso com o assessor político há três anos e que ele, por ser casado e ter filho, não aceitou a gravidez da amante, “A informação é de que o rapaz teria pago, mas são informações de testemunhas, não temos informações concretas, não sabemos o valor. A única certeza é de que ele foi lá pegar ela. Minha avó viu tudo", afirmou.

Ele disse ainda que a jovem estudava e estava trabalhando em campanha política. “A família está em estado de choque, ela era a mais novinha dos irmãos, a caçulinha, é difícil de acreditar”, desabafou.

Para ele, o assessor é culpado. “Vamos ver os próximos passos para tentar a prisão dele. A dor que estamos sentindo não queremos pra ninguém. Foi muito inesperado”, disse o irmão da jovem.

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