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Polícia investiga se milicianos têm ligação com a agiotagem no Rio

Polícia investiga se milicianos têm ligação com a agiotagem no Rio

Atualizado: Sexta-feira, 13 Maio de 2011 as 1:49

A polícia investiga se há policiais ou milicianos envolvidos na máfia da agiotagem no Rio e também a forma de atuação dos criminosos. Há indícios de que haveria um mesmo grupo com escritórios em diferentes pontos na Região Metropolitana do Rio.

“Em relatórios da CPI das Milícias foram citados escritórios que serviam a milicianos. Associados à Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) também vamos investigar, combater e prender todos aqueles que estejam associados nessa criminalidade”, disse o delegado Maurício Luciano de Almeida e Silva, da Delegacia do Consumidor (Decon).

A máfia, segundo o delegado, só empresta pequenos valores e faz tudo para segurar o devedor.

“A pessoa que pede um empréstimo no Centro é direcionada para Nova Iguaçu (na Baixada Fluminense) ou Niterói (na Região Metropolitana) para pegar o restante do dinheiro empréstimo. Depois são três escritórios cobrando a dívida, extorquindo, ligando ameaçando”, disse o delegado.

A polícia, que já descobriu que a prática é sempre a mesma, faz operação para prender os criminosos . Novas vítimas contam que foram ameaçadas e humilhadas pelo agiotas. O depoimento de uma vítima mostra a covardia dos artigos. “Você é xingada, você é ameaçada. Eles ameaçam: ‘eu sei que você tem filhos, nós vamos pegar um dos seus filhos’”, diz mulher, que precisou de R$ 1.300 para resolver um problema de saúde.

Ela procurou um escritório de empréstimos rápidos, no Centro do Rio. Ao chegar, levou um susto com o valor dos juros e ao reclamar da quantia, o tormento só cresceu: começaram as ameaças. “Façam comigo, mas não façam com os meus filhos e netos. Se tiver que fazer, façam comigo porque eu quero pagar, mas eu não posso pagar os juros cumulativos que eles cobram”, disse a vítima.

Vítimas teve cabelo cortado por agiota

Outra mulher também foi humilhada pelos agiotas. Ao pedir R$ 500, ela foi confundida com uma devedora e foi torturada dentro do escritório clandestino, na Tijuca, na Zona Norte. “Entrou um cara na sala dizendo que me conhecia. Aí ele pegou uma tesoura, não, foi uma faca. Aí ele começou a cortar meu cabelo e rir. Eu tinha o cabelo na cintura. E o outro, com uma câmera de celular começou a me filmar”, contou ela.

A mulher conseguiu fugir, mas não levou o dinheiro e ainda ficou sem a própria bolsa. “Estou arrependidíssima. Se eu soubesse, nunca tinha ido num lugar desses, fiquei apavorada, acho que eles são bandidos, entendeu? Por que a maneira que eles agem e ainda ficaram me ameaçando, dizendo que se eu chamasse a polícia, eles iam fazer e acontecer com a minha família”, concluiu a mulher.        

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