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Polícia investiga se universitária foi morta por motivação sexual

Polícia investiga se universitária foi morta por motivação sexual

Atualizado: Terça-feira, 13 Dezembro de 2011 as 2:42

Bianca Consoli foi achada morta dentro de casa na

Zona Leste de SP (Foto: Reprodução / Divulgação) A Polícia Civil aguardava nesta terça-feira (13) os resultados de laudos técnicos para averiguar se a estudante Bianca Ribeiro Consoli, de 19 anos, foi morta por motivação sexual. Sandro Dota, cunhado da vítima e principal suspeito de cometer o crime, foi preso preventivamente na noite de segunda-feira (12) em São Mateus, na Zona Leste de São Paulo. Ele nega a autoria do assassinato.

Segundo o delegado Jorge Carrasco, diretor do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), testemunhas afirmaram à polícia que Dota por várias vezes tentou seduzir Bianca, e que ela se incomodava com isso. Os laudos aguardados pela polícia dirão se a vítima sofreu abuso sexual antes de morrer. Entretanto, Carrasco afirma que, para a polícia, a motivação não é importante. “Todos os álibis do Sandro caíram por terra. Diante da materialidade que a investigação aponta, eu posso concluir que ele é o autor desse crime. O que importa é que o caso está concluído como homicídio qualificado”, afirmou.

Álibi

Após exame genético, foi comprovado que uma amostra de pele localizada debaixo da unha de Bianca era de Dota. O suspeito também usava uma calça com manchas de sangue que, segundo ele, foram causadas por um ferimento que ele sofreu ao tropeçar no batente de uma obra. “A investigação chegou às raias de medir o batente e ele tem 19 cm de altura. O ferimento do Sandro tem 40 cm, mesma altura do degrau da escada da casa da Bianca.”

Além disso, um exame de telefonia coloca o suspeito no local do crime. Segundo Carrasco, Dota fez uma ligação para sua esposa, irmã de Bianca, de dentro da casa da vítima em um horário próximo ao do crime.

Até então, Dota era acusado de latrocínio – roubo seguido de morte – o que já foi descartado pela investigação. “Havia dinheiro na casa, mas nada foi levado”, disse Carrasco.

'Sou inocente'

O suspeito, que sempre negou o assassinato da cunhada, voltou a alegar inocência diante da imprensa quando foi preso nesta segunda. “Sou inocente. Amo minha esposa”, afirmou Dota enquanto saía do DHPP. Ele foi levado por um carro de polícia para o Instituto Médico-Legal (IML), onde fez exame de corpo de delito.

A defesa de Sandro Dota disse que entrará com um pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). O advogado Ricardo Martins afirmou ao G1 que pretende ingressar com a solicitação de liberdade provisória após ter acesso aos autos do processo.

Procurado nesta terça para comentar o assunto, o promotor Nelson dos Santos Pereira Júnior afirmou, por meio da assessoria de imprensa do Ministério Público, que não poderia comentar o caso porque a Justiça decretou segredo. Procurada para falar sobre o caso, a assessoria doTJ-SP informou que iria procurar informações a esse respeito para depois se pronunciar.

O crime

Bianca foi assassinada em 13 de setembro, na casa onde morava com a família, na Zona Leste. O corpo dela apresentava sinais compatíveis com estrangulamento. Segundo a polícia, a princípio Dota teria entrado na residência para roubar porque descobriu que o pai de Bianca guardava dinheiro na casa.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública, Bianca estava sozinha em casa no momento do crime. Seus pais haviam saído para trabalhar. A tia da jovem, que mora em uma residência ao lado, estranhou o fato de a janela vizinha estar aberta e o televisor e as luzes, ligadas.

Por volta das 20h, a mãe de Bianca chegou e, por estar sem a chave do portão, pediu para um sobrinho de 10 anos pular o muro para destrancá-lo. Quando a tia e a mãe entraram, encontraram a jovem caída na sala perto de uma porta que dá acesso à sacada.

No dia em que foi achada morta com ferimentos no pescoço, Bianca postou mensagens na página pessoal dela em um site de relacionamentos. Às 12h17 estava escrito “As coisas estão dando certo”, em seguida, aparecia um asterisco e um sorriso estilizado. Às 13h14, escreveu “Deus”, seguido de uma imagem de um coração.

As informações na rede social de Bianca na web foram analisadas pelos investigadores na tentativa de chegar a algum suspeito de ter matado a aluna do curso de administração de empresas. Bianca tinha acabado de conseguir um emprego. Começaria a trabalhar no dia 19 de setembro. Nada foi levado da casa. No dia do crime, ela estava com o dinheiro para pagar a taxa de inscrição de um concurso público. Esse dinheiro também ficou na bolsa dela. O G1 não conseguiu localizar outros parentes de Bianca para falar.          

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