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Polícia pede lista de clientes de bar para identificar agressores

Polícia pede lista de clientes de bar para identificar agressores

Atualizado: Terça-feira, 4 Outubro de 2011 as 1:01

Além das imagens das câmeras de segurança, a Polícia Civil de São Paulo também pedirá ao Sonique Bar as listas de presença e de consumo dos frequentadores da casa entre a noite de sexta-feira (30) e a madrugada de sábado (1º) para tentar identificar os dois agressores de um casal gay na capital paulista. Procurado pelo G1 , o estabelecimento comercial informou nesta terça-feira (4) que irá colaborar com o trabalho policial e fornecer tudo o que for pedido.

O analista fiscal Marcos Paulo Villa, de 32 anos, e o companheiro dele, de 30 anos, que pediu para não ser identificado, foram agredidos em frente a um restaurante da Rua Fernando de Albuquerque após saírem do Sonique Bar, na Rua Bela Cintra, na região da Avenida Paulista, na madrugada de sábado.   Todos os clientes que vão ao Sonique fornecem os nomes e telefones para receberem os cartões de consumo. O objetivo da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) é rastrear os suspeitos das agressões aos homossexuais a partir das cenas gravadas no bar e dos dados dos frequentadores. Também serão verificadas as informações dos cartões de débito ou crédito dos clientes.

“Nossa casa sempre teve conceito de diversidade sexual. Queremos mostrar que esses agressores não podem estar impunes. Nosso bar não será conhecido como um bar onde aconteceu isso, mas, sim, como um bar que ajudou a polícia a chegar aos responsáveis pelas agressões. Estamos rastreando nosso sistema pelos horários de entradas, além de já termos fornecido as gravações das câmeras de filmagens. Vamos passar para a polícia o período em que todos os homens saíram e horários. Operamos das 22h até 13h. Também dá para afunilar a busca com quem pagou com cartão de crédito e débito antes de sair”, disse Beto Lago, proprietário do Sonique Bar.

O casal foi agredido com socos e pontapés desferidos por jovens não identificados que estavam com roupas e tatuagens de surfistas. A investigação descartou a ação de grupos organizados de intolerância contra gays, como skinheads e neonazistas.

O namorado de Villa, que teve a perna direita quebrada na briga, já prestou depoimento à Decradi. Nesta tarde serão ouvidos o analista e as duas mulheres que acompanhavam o casal no bar.

Além das vítimas, os agressores também estavam no Sonique. Lá dentro, houve uma discussão entre eles por causa das amigas que não gostaram de ser assediadas pelos agressores, que têm entre 25 a 30 anos. Segundo as vítimas, elas só apanharam porque são gays. O que comprova isso são os xingamentos que sofreram, com ofensas homofóbicas. Além das lesões corporais sofridas pelo casal, a polícia apura o crime de intolerância.

Segundo Villa, os agressores, com idades entre 25 e 30 anos e cerca de 1,80 metro, voltaram a assediar uma das moças e começaram a provocar ele e namorado no posto de combustíveis que fica na esquina das ruas Bela Cintra e Fernando de Albuquerque. O analista disse que o casal foi xingado: “viados, vocês não merecem viver, vocês merecem a morte, vamos matar vocês”. Villa, então, pediu para que eles parassem com as provocações e atravessou a rua, em direção à sua casa, na Rua da Consolação. Os dois agressores, foram atrás do casal e continuaram com as provocações.

O coordenador financeiro ficou nervoso e gritou para que eles saíssem de perto. Quando o casal estava em frente ao restaurante Mestiço foram surpreendidos com socos na nuca e na coxa.

Câmera filma agressores

Em conversa com os policiais que apuram o caso, as vítimas reconheceram o homem que aparece nas imagens gravadas pelo circuito interno de monitoramento por câmeras de segurança da loja de conveniência do posto de combustíveis na esquina das ruas Fernando de Albuquerque e Bela Cintra. Segundo Villa, o jovem que aparece nas imagens foi quem quebrou a perna de seu namorado. O suspeito possui uma tatuagem com ondas do mar no braço direito, segundo o casal.

Ainda segundo o relato das vítimas e das testemunhas em conversa informal com a polícia, o agressor tem o corpo bronzeado, como alguém que costuma ir à praia. Ele também estava com uma corrente no pescoço. O momento da violência, porém, não foi registrado pelas câmeras de segurança do posto. “Ele veio para cima de mim, me deu um murro na boca. Eu caí, bati a cabeça e ele começou a chutar meu corpo, foi aonde eu apaguei e ele conseguiu quebrar minha perna”, contou a vítima que prefere não ter seu nome divulgado.

Villa afirmou que viu o companheiro, com quem vive há quase cinco anos, desmaiado e ensanguentado e achou que ele estivesse morto.

Outros casos

No dia 14 de novembro de 2010, quatro menores de 18 anos e um maior de idade agrediram pedestres na Avenida Paulista. Eles chegaram, inclusive, a desferir golpes com lâmpadas fluorescentes em uma das cinco vítimas do grupo. Para a polícia, a motivação dos ataques foi homofobia. No dia 4 de dezembro, o operador de telemarketing Gilberto Tranquilini da Silva e um colega dele, ambos de 28 anos, foram vítimas de uma agressão nas proximidades da Estação Brigadeiro do Metrô, também na Avenida Paulista. Eles disseram à polícia que o ataque foi motivado por homofobia.

No dia 25 de janeiro deste ano, um estudante de 27 anos afirmou que ele e um amigo foram vítimas de um ataque homofóbico na Rua Peixoto Gomide, quase na esquina com a Rua Frei Caneca, quando levou uma garrafada no olho direito.

No dia 23 de março, o ativista do movimento LGBT Guilherme Rodrigues, de 23 anos, foi agredido em um posto de combustível na esquina das ruas Augusta com Peixoto Gomide, também na região da Avenida Paulista.          

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