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Polícia que ouvir professora que levou tiro de aluno no ABC

Polícia que ouvir professora que levou tiro de aluno no ABC

Atualizado: Segunda-feira, 3 Outubro de 2011 as 10:28

Professora Rosileide Oliveira, de 38 anos, deverá

ser ouvida pela polícia nesta segunda

(Reprodução/Arquivo Pessoal)

  A Polícia Civil quer ouvir na tarde desta segunda-feira (3) a professora Rosileide Oliveira, de 38 anos, baleada por um aluno de 10 anos que se matou em seguida dentro de uma escola em São Caetano do Sul, no ABC, no dia 22 de setembro. Nesta manhã, estão programados também os depoimentos de cinco estudantes que teriam ouvido Davi Nogueira dizer no dia anterior à tragédia que mataria a pedagoga e se suicidaria.

Todos esses depoimentos são considerados importantes pela investigação para tentar esclarecer o caso. O garoto havia usado a arma particular do pai, um guarda-civil, para cometer o crime. Até agora não há explicação para saber o que levou o menino a atirar na educadora e se matar.

A professora Rosileide deverá ser ouvida pela polícia por volta das 14h desta segunda na casa de parentes no ABC, onde está se recuperando de duas cirurgias - uma no quadril (para a retirada de uma bala) e outra no joelho esquerdo (que estava fraturado) por conta da queda após o disparo que a atingiu dentro da sala da Escola Municipal Alcina Dantas Feijão.

De acordo com a delegada Lucy Fernandes, titular do 3º Distrito Policial, em São Caetano do Sul, o depoimento da educadora será tomado num local não revelado a pedido de Rosileide e de sua família. “A professora ainda está abalada com o que ocorreu e pediu para que não divulgássemos onde ela será ouvida”, disse a delegada Lucy. “Por enquanto, ela quer fugir do assédio da imprensa”.   Professora

Rosileide ainda não deu entrevistas sobre a tragédia. Antes de deixar o Hospital das Clínicas, em São Paulo, onde ficou internada por uma semana, ela divulgou uma carta de agradecimento àqueles que a ajudaram.

Segundo familiares da professora disseram à imprensa, ela afirmou ter sido pega de surpresa pelo aluno, também contou nunca ter tido qualquer problema com ele e ainda que o garoto tinha bom comportamento.

Bullying e disparo acidental são algumas das hipóteses apuradas pela polícia para explicar o crime. A delegada investiga se Davi poderia ter sido forçado por alguém que não gostava da professora a atirar nela; se o próprio garoto não gostava da educadora ou ainda se ele tentou dar um susto na pedagoga, mas como a brincadeira saiu errada, se matou com medo das consequências.

“Basicamente, vou perguntar a professora como foi a dinâmica do que ocorreu. Quanto tempo levou, se o aluno pediu mesmo para ir ao banheiro e depois voltou e atirou nela, se ele saiu sozinho da sala ou acompanhado, sela viu o disparo, se teve algum desentendimento entre ela e Davi ou algum outro aluno”, explicou a delegada Lucy.

Escola onde aluno atirou em professora e se

matou (Foto: Kleber Tomaz/G1)   A polícia já descartou a possibilidade de responsabilizar o pai de Davi, Milton Nogueira, de 42 anos, por negligência pelo fato de não ter conseguido impedir o filho de pegar o revólver calibre 38 que ele guardava no armário de casa. O aluno pegou a arma e a escondeu na mochila para entrar na escola.

Em entrevistas à imprensa, os pais de Davi revelaram o desejo de encontrar a professora Rosileide para pedir desculpas por causa do ato do filho. A educadora também manifestou essa intenção de ver Milton e sua mulher. Ela também falou por meio de seus familiares que não quer mais voltar a dar aulas. Ainda não há previsão de quando ocorrerá esse encontro. Também não há informações se a pedagoga pretende falar com a imprensa.

Alunos

Por volta das 10h desta segunda, estão previstos os depoimentos dos cinco alunos da escola Alcina Feijão numa unidade educacional em São Caetano. Eles teriam ouvido Davi falar que mataria a professora e se mataria em seguida e que também o aluno planejava dar um susto em Roseli. As oitivas deles terão o acompanhamento de psicólogos.

A delegada Lucy também não quis revelar o local das oitivas a pedido da direção do colégio. “Como o caso envolve o depoimento de criança, a direção alegou que os alunos vão se sentir mais a vontade para falar sem a presença dos jornalistas”, disse. “Para os alunos, vou perguntar o que aconteceu, se Davi saiu sozinho ou com mais alguém, de onde ele fez o disparo. E saber também se os comentários do que ele iria fazer, ou se falou alguma coisa no dia anterior ou dos fatos, realmente são verdadeiros”.

De acordo com a delegada, não há necessidade em se ouvir os mais de 20 alunos que estavam na classe da professora Rosileide quando ela foi baleada.          

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