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Polícia solucionou 85% das mortes de policiais e só 13% dos assassinatos de civis em SP

Polícia solucionou 85% das mortes de policiais e só 13% dos assassinatos de civis em SP

Atualizado: Segunda-feira, 9 Maio de 2011 as 4:25

    Dos crimes relacionados aos ataques de maio de 2006 no Estado de São Paulo – em que uma facção criminosa que atua a partir dos presídios cometeu uma série de assassinatos – investigados pelo DHPP (Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa), apenas 12,9% dos casos que resultaram na morte de civis foram solucionados. Em contrapartida, 85% dos assassinatos de policiais foram esclarecidos. Os dados fazem parte do estudo feito pela Clínica Internacional de Diretos Humanos de Harvard em parceria com a ONG Justiça Global e foram divulgados na manhã desta segunda-feira (9) em coletiva na região central de São Paulo.

Para diretora da Justiça Global, Sandra Carvalho, no caso dos crimes que foram investigados por outras polícias, além do DHPP, o número de esclarecimentos de mortes de civis pode ser ainda menor.

- A grande maioria foi arquivada sem esclarecimento. Houve uma falta de apuração efetiva.

Novos ataques

O relatório apresentado nesta segunda aponta ainda a possibilidade de uma nova “onda de ataques” ocorrer a qualquer momento no Estado. Segundo o principal autor do estudo, Fernando Delgado, há indícios de um acordo entre a facção criminosa responsável pelos ataques de maio e a polícia dentro dos presídios.

- O risco é bastante considerável. Existem indícios desse acordo [entre a facção e policiais]. Há uma denúncia de que há um domínio do PCC em [penitenciária] Avaré 1.

De acordo com Delgado, também existem denúncias feitas por presos sobre Avaré 1. Segundo eles, o local tem bastante “opressão” por parte da facção criminosa. 

Além do suposto poder da quadrilha na penitenciária, o estudioso acrescenta que o atual “período de calmaria” pelo qual passam os presídios de São Paulo é “inexplicável”, semelhante ao que ocorreu antes dos ataques de 2006.

Conhecimento

O relatório divulgado nesta segunda aponta ainda que a polícia sabia que os ataques de maio aconteceriam e que há uma “falha constante” na investigação desses casos em que agentes públicos morreram.  

A reportagem do R7 entrou em contato com a SSP (Secretaria da Segurança Pública), mas até a publicação desta notícia, o órgão não se pronunciou sobre o estudo.        

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