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Policiais civis de SP fazem curso de combate a arrastões em prédios

Policiais civis de SP fazem curso de combate a arrastões em prédios

Atualizado: Quarta-feira, 15 Setembro de 2010 as 8:13

Atenta ao crime que tem ocorrido com maior frequência no estado, a Polícia Civil de São Paulo está treinando policiais para lidar com ações de roubos a condomínios. As aulas são ministradas por professores da Academia de Polícia (Acadepol) e a 11ª turma começou o curso de dois dias nesta terça-feira (14). A meta é ensinar os agentes a, entre outras coisas, abordar as vítimas e recolher as provas no local corretamente.

“O objetivo é que o policial conheça a modalidade desse crime. Que ele saiba analisar o comportamento da quadrilha, que saiba conhecer quem compra esse tipo de material (roubado), que são os receptadores”, explicou o delegado Kleber Altale, divisionário da Secretaria de Cursos Complementares da Acadepol. O Curso de Especialização em Investigação sobre Crimes de Roubos em Condomínios acontece na Acadepol, que fica junto à Cidade Universitária, na Zona Oeste da capital.

Em outubro de 2009, por meio da Resolução SSP-240, a Secretaria da Segurança Pública criou o Programa de Prevenção e Repressão de Roubos a Condomínios. No início do texto, uma das justificativas: “considerando o aumento das ocorrências de roubo a condomínios, praticados por quadrilhas organizadas, na maioria das vezes contando com aparato bélico de grande poder de impacto e a necessidade de prevenção e repressão a essas atividades criminosas.” O curso é voltado a policiais do estado que atuam em unidades como a Delegacia de Investigações Gerais (presente nos municípios paulistas), o Setor de Investigações Gerais (SIG) e o Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo (Demacro). Na turma que se forma nesta quarta (15), estão 22 agentes.

Altale contou que o curso tem apenas aulas teóricas e que, em 2009, 59 policiais concluíram a formação. Em 2010, já são 160 formandos. “Os alunos aprendem o modus operandi das quadrilhas, como coletar indícios relevantes, e conhecem as metodologias de inteligência na investigação de ações criminosas”, disse o delegado, acrescentando que não poderia revelar mais detalhes do que é passado.

Em agosto do ano passado, a Secretaria criou a Delegacia Especializada em Combate a Roubos e Condomínios, que é vinculada ao Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic). O objetivo é centralizar as investigações desse tipo de roubo. Dados do Deic mostram que, em 2009, a polícia registrou 26 arrastões. Neste ano, até 17 de agosto, tinham sido 11.

Lugar sagrado

Na tarde desta terça, o perito criminal Paulo Amaral dava a aula de criminalística aplicada à investigação. “É a cautela com a preservação do local do crime, a perícia de forma objetiva, o levantamento de impressões digitais”, explicou.

Ele comentou sobre a peculiaridade dos assaltos acontecem nos prédios paulistas. “Trata-se de um roubo na sua casa, que é um lugar sagrado. Dificilmente, ele (o crime) ocorre em um ou dois apartamentos. São crimes violentos, com alto grau de ameaça e risco.”

Casos

Um dos casos mais recentes de arrastão ocorreu no dia 9 deste mês, quando cinco homens armados com revólveres se passaram por visitantes, invadiram o apartamento de um casal de idosos e fizeram cinco reféns na Aclimação, zona sul de São Paulo.

No mesmo dia, outro assalto do tipo em um condomínio de luxo em Sorocaba, a 99 km da capital. Pelo menos 15 homens armados com fuzis e pistolas invadiram o prédio e roubaram pelo menos seis apartamentos. Moradores e funcionários foram feitos reféns e ficaram amarrados com lacres de plástico durante quase duas horas.

Postado por: Thatiane de Souza

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