Policiais presos na operação Guilhotina desviaram ao menos 27 armas, diz PF

Policiais presos na operação Guilhotina desviaram ao menos 27 armas, diz PF

Atualizado: Terça-feira, 15 Fevereiro de 2011 as 8:31

Os policiais militares e civis indiciados na operação Guilhotina da Polícia Federal foram são acusados pelo desvio de pelo menos 27 armas apreendidas durante operações policiais em favelas desde 2005, segundo relatório da PF.

De acordo com o documento, neste período, os suspeitos desviaram 20 pistolas, cinco fuzis, uma metralhadora ponto 30 e uma submetralhadora Uzi. A maioria destas armas foi revendida a traficantes de drogas e milicianos. O número, no entanto, não inclui o material que teria sido desviado durante a ocupação no Complexo do Alemão, na zona norte, no último mês de novembro.

Um dos desvios apontados pela PF ocorreu em março de 2008 durante uma operação nos morros da Mineira e do São Carlos, na zona central da capital. Na ocasião, foi apurado que policiais se apropriaram de quatro fuzis, 15 pistolas e cerca de 40.000 munições. Segundo o relatório, um dos responsáveis pelo desvio foi um policial civil que ocupava recentemente a chefia de investigações da delegacia da Penha (22ª DP) e que atuaria na milícia da favela Roquete Pinto, no Complexo da Maré.

Outro desvio aconteceu em uma operação no morro da Coroa, em Santa Teresa, na zona central do Rio, em julho de 2009. Na ocasião, policiais civis teriam se apropriado de duas pistolas com kit rajada apreendidas. Os mesmos suspeitos também desviaram uma metralhadora ponto 30 arrecadada no morro da Mangueira, na zona norte, no mesmo ano. Todas essas armas, de acordo com a PF, foram vendidas a traficantes.

Delegado ficou com arma apreendida para uso pessoal 

O relatório da PF indica ainda que, em 2005, policiais suspeitos desviaram uma submetralhadora Uzi, um fuzil AR-15 e três pistolas apreendidas em uma operação no morro do Urubu, em Pilares, na zona norte. Preso durante a Guilhotina, o delegado Carlos Antônio Oliveira, na época, teria ficado com a submetralhadora para uso pessoal enquanto que o PM conhecido como Afonsinho, que seria chefe da milícia na Roquete Pinto, se apropriou das demais.

Em relação ao Complexo do Alemão, há algumas citações no relatório sobre supostos desvios de material. Uma delas é a arrecadação de sete "pares de tênis" que estavam na laje de uma casa. A polícia investiga se a palavra "tênis" seria usada para substituir fuzil. A outra é sobre a quantia de R$ 2 milhões que teria sido encontrada pelo conhecido inspetor Trovão. O documento da PF revela ainda que um policial teria prometido vender dois fuzis modelo M16 ao traficante Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, mas a negociação não foi concretizada porque o policial não conseguiu as armas. E que um outro fuzil teria sido negociado por policiais na favela Fernão Cardim, em Pilares, na zona norte.

Documento revela altas propinas pagas a policiais O relatório da PF indica que policiais civis, entre eles o conhecido inspetor Trovão, recebiam cerca de R$ 100 mil mensais de propina dos traficantes Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem e de Roupinol, que comanda e comandava a favela da Rocinha, na zona sul e o morro de São Carlos, no Estácio, respectivamente.

Durante a operação Guilhotina, que resultou na prisão de 38 pessoas, sendo 30 policiais (20 PMs e dez civis), a PF conseguiu apreender com os envolvidos 12 armas, sendo oito curtas (pistolas e revólveres) e quatro longas (carabinas e fuzis) e cerca de 3.000 munições. O delegado Allan Dias disse ao R7 que investiga se o material foi apreendido em operações e desviado. Os envolvidos na operação Guilhotina são suspeitos de tráfico de armas, vazamento de informações sobre operações policiais, apropriação de material apreendido em operações, ligação com milícias e de fazer segurança para bingos e casas de prostituição.      

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